sexta-feira, 28 de maio de 2010

MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO


MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO
Com a afirmação “meu reino não é deste mundo” feita a Pilatos em seu julgamento, Jesus nos demonstra claramente qual a sua missão e a nossa finalidade nesse planeta.
Mesmo torturado e vilipendiado, o Mestre não perdia a oportunidade para ensinar que a verdade era essencial para a vida futura e para a liberdade do espírito. Em apenas três versículos Jesus nos faz refletir sobre a sua missão, sobre a espiritualidade e principalmente sobre a essência da vida futura. Vejamos então:
“Pilatos, tendo entrado de novo no palácio e feito vir Jesus à sua presença, perguntou-lhe: És o rei dos judeus? - Respondeu-lhe Jesus: Meu reino não é deste
mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, a minha gente houvera combatido para
impedir que eu caísse nas mãos dos judeus; mas, o meu reino ainda não é aqui.
Disse-lhe então Pilatos: És, pois, rei? - Jesus lhe respondeu: Tu o dizes; sou rei;
não nasci e não vim a este mundo senão para dar testemunho da verdade. Aquele que pertence a verdade escuta a minha voz. (S. JOÃO, cap. XVIII, vv. 33, 36 e 37.)

Em nossos dias, vemos as mais diversas religiões reunirem em templos ou mesmo em ginásios de esportes, imenso grupo de pessoas que em seu desespero pedem bênçãos em suas carteiras de trabalho, em fotos, chaves e até mesmo em bolsas e carteiras. Nada a criticar. O desespero é mau conselheiro em qualquer assunto. No entanto nos surpreende a atitude de certos líderes religiosos, supostamente teólogos, que estimulam estas práticas e que fixam nessas pessoas a idéia materialista de progresso, estimulando assim a idéia de que Deus vai abençoar sua bolsa ( e imagine o que tem dentro de uma bolsa feminina!) seu dinheiro, possivelmente o batom, o pó compacto, o absorvente feminino quem sabe a cartela de anticoncepcionais e um pouco de perfume. Deus para todos os gostos!
Não seria isto um estímulo ao apego material? Completamente diferente do que ensinava Jesus. Se o seu reino não é deste mundo, por extensão o reino de Deus também não o seria. Então por que Deus abençoaria ou se preocuparia com a carteira ou o progresso material das pessoas? Se esse mundo é apenas uma passagem, qual a importância que teria a compra do carro novo, da casa ou do emprego?

Jesus nos deixa bem claro que nada aqui é importante. Que veio dar testemunho da verdade e que essa verdade era a vida espiritual e seus valores. Então por que não falar desses valores? Esqueceram de ler os evangelhos? Onde fica então a célebre frase “busca o reino dos céus e o resto te será acrescentado”? Onde estão as passagens do sermão da montanha onde Ele nos fala sobre os lírios do campo e as aves do céu?
Jesus é muito claro quando nos fala da necessidade de buscar a vida verdadeira e que esta em que estamos é um momento fugaz. Ele nos estimula pela sua palavra a sermos os trabalhadores da vida espiritual e nos deixa claro que “ o trabalhador é digno do seu salário”. Ou seja, trabalhe e viva pelo evangelho e nada te faltará, pois Deus cuida dos seus filhos com amor. Precisamos nos entregar ao Seu amor, confiar Nele e nada nos faltará.
Estamos vivendo um momento de muito materialismo, onde o culto ao corpo, ao dinheiro e ao sucesso material estimula as mentes doentias a buscarem obter com facilidade sem o esforço do trabalho digno os bens materiais.
Os chamados reality shows estimulam a idéia de que basta mostrar o corpo ou apelar para o vale-tudo que você será uma pessoa bem sucedida e milionária. Mas será que vale a pena? Será que a infelicidade é apenas um subproduto da pobreza? E por que os ricos buscam tanto os analistas? Por que se tomam cada vez mais antidepressivos? Por que tanto estresse e tanta violência, muitas vezes dentro da própria casa? Crianças abandonadas dentro da própria família, quando não violentadas e assassinadas no seio da família que devia lhe proteger. Parece que falta algo para preencher esse vazio. E falta. Faltam cada vez mais esperanças e por isso o vazio interior é ocupado pelo desespero e pela infelicidade que nada no mundo material pode aplacar.
Jesus nos falava da água da vida. Estamos cada vez mais sedentos dessa água que preencha os vazios da vida. Como a mulher de Samaria precisamos beber nas palavras do Mestre Jesus e aplacar nossa sede e nossa fome de verdade e justiça. E essa é a grande missão de Jesus: trazer a verdade que liberta. Busquemos então o reino dos céus, trabalhemos no amor a Deus e na busca da vida eterna... e o resto nos será acrescentado.Muita paz!

Estive ausente esses dias por conta de uma tendinite, mas estou de volta e continuaremos nossas postagens. Obrigada a vocês pelo carinho.

sábado, 15 de maio de 2010

SOBRE O AMOR E A AMIZADE



AMOR E RENÚNCIA


Irmão X - Humberto de Campos


O manto da noite caía de leve sobre a paisagem de Cafarnaum e Jesus, depois de uma das grandes assembléias populares do lago, se recolhia à casa de Pedro em companhia do apóstolo. Com a sua palavra divina havia tecido luminosos comentários em torno dos mandamentos de Moisés; Simão, no entanto, ia pensativo como se guardasse uma dúvida no coração.

Inquirido com bondade pelo Mestre, o apóstolo esclareceu:

— Senhor, em face dos vossos ensinamentos, como deveremos interpretar a vossa primeira manifestação, transformando a água em vinho, nas bodas de Caná? Não se tratava de uma festa mundana? O vinho não iria cooperar para o desenvolvimento da embriaguez e da gula?

Jesus compreendeu o alcance da interpelação e sorriu.

— Simão — disse ele —, conheces a alegria de servir a um amigo?

Pedro não respondeu, pelo que o Mestre continuou:

— As bodas de Caná foram um símbolo da nossa união na Terra. O vinho, ali, foi bem o da alegria com que desejo selar a existência do Reino de Deus nos corações. Estou com os meus amigos e amo-os a todos. Os afetos dalma, Simão, são laços misteriosos que nos conduzem a Deus. Saibamos santificar a nossa afeição, proporcionando aos nossos amigos o máximo da alegria; seja o nosso coração uma sala iluminada onde eles se sintam tranqüilos e ditosos. Tenhamos sempre júbilos novos que os reconfortem, nunca contaminemos a fonte de sua simpatia com a sombra dos pesares! As mais belas horas da vida são as que empregamos em amá-los, enriquecendo- lhes as satisfações íntimas.

Contudo, Simão Pedro, manifestando a estranheza que aquelas advertências lhe causavam, interpelou ainda o Mestre, com certa timidez:

— E como deveremos proceder quando os amigos não nos entendam, ou quando nos retribuam com ingratidão? Jesus pôs nele o olhar lúcido e respondeu:

— Pedro, o amor verdadeiro e sincero nunca espera recompensas. A renúncia é o seu ponto de apoio, como o ato de dar é a essência de sua vida. A capacidade de sentir grandes afeições já é em si mesma um tesouro. A compreensão de um amigo deve ser para nós a maior recompensa. Todavia, quando a luz do entendimento tardar no espírito daqueles a quem amamos, deveremos lembrar-nos de que temos a sagrada compreensão de Deus, que nos conhece os propósitos mais puros. Ainda que todos os nossos amigos do mundo se convertessem, um dia, em nossos adversários, ou mesmo em nossos algozes, jamais nos poderiam privar da alegria infinita de lhes haver dado alguma coisa!...

E com o olhar absorto na paisagem crepuscular, onde vibravam sutis harmonias, Jesus ponderou, profeticamente:

- O vinho de Caná poderá, um dia, transformar-se no vinagre da amargura; contudo, sentirei, mesmo assim, júbilo em absorvê-lo, por minha dedicação aos que vim buscar para o amor do Todo-Poderoso.

Simão Pedro, ante a argumentação consoladora e amiga do Mestre, dissipou as suas derradeiras dúvidas, enquanto a noite se apoderava do ambiente, ocultando o conjunto das coisas no seu leque imenso de sombras.



***

Muito tempo ainda não decorrera sobre essa conversação, quando o Mestre, em seus ensinos, deixou perceber que todos os homens, que não estivessem decididos a colocar o Reino de Deus acima de país, mães e irmãos terrestres, não podiam ser seus discípulos.

No dia desses novos ensinamentos, terminados os labores evangélicos, o mesmo apóstolo interpelou o Senhor, na penumbra de suas expressões indecisas:

– Mestre, como conciliar estas palavras tão duras com as vossas anteriores observações, relativamente aos laços sagrados entre os que se estimam?!

Sem deixar transparecer nenhuma surpresa Jesus esclareceu :

– Simão, a minha palavra não determina que o homem quebre os elos santos de sua vida; antes exalta os que tiverem a verdadeira fé para colocar o poder de Deus acima de todas as coisas e de todos os seres da criação infinita. Não constitui o amor dos pais uma lembrança da bondade permanente de Deus? Não representa o afeto dos filhos um suave perfume do coração?! Tenho dado aos meus discípulos o título de amigos, por ser o maior de todos.

“O Evangelho – continuou o Mestre, estando o apóstolo a ouvi-la, atentamente – não pode condenar os laços de família, mas coloca acima deles o laço indestrutível da paternidade de Deus. O reino do céu no coração deve ser o tema central de nossa vida.” Tudo mais é acessório. A família, no mundo, está igualmente subordinada aos imperativos dessa, edificação. Já pensaste, Pedro, no supremo sacrifício de renunciar? Todos os homens sabem conservar, são raros os que sabem privar-se. Na construção do reino de Deus, chega um instante de separação, que é necessário se saiba suportar com sincero,desprendimento. E essa separação não é apenas a que se verifica pela morte do corpo, muitas vezes proveitosa e providencial, mas também a das posições estimáveis no mundo, a da família terrestre, a do viver nas paisagens queridas, ou, então, a de uma alma bem-amada que preferiu ficar a distância, entre as flores venenosas de um dia!...

“Ah! Simão, quão poucos sabem partir, por algum tempo, do lar tranqüilo, ou dos braços adorados de uma afeição, por amor ao reino que é o tabernáculo da vida eterna!! Quão poucos saberão suportar a calunia, o apôdo, a indiferença, por desejarem permanecer dentro de suas criações individuais, cerrando ouvidos à advertência do céu para que se afastem tranquilamente!... Como são raros os que sabem ceder e partir em silêncio, por amor ao reino, esperando o instante em que Deus se pronuncia! Entretanto, Pedro, ninguém se edificará, sem conhecer cada virtude de saber renunciar com alegria, em obediência à vontade de Deus, no momento oportuno, compreendendo a sublimidade de seus desígnios. Por essa razão, os discípulos necessitam aprender a partir e a esperar onde as determinações de Deus os conduzam, porque a edificação do reino do céu no coração dos homens deve constituir a preocupação primeira, a aspiração mais nobre da alma, as esperanças centrais do espírito!...”

Ainda não havia anoitecido. Jesus, porém, deu por concluídas as suas explicações, enquanto as mãos calosas do apóstolo passavam, de leve, sobre os seus olhos úmidos.



***

Dando o testemunho real de seus ensinamentos, o Cristo soube ser, em todas as circunstâncias, o amigo fiel e dedicado. Nas elucidações de João, vemo-lo a exclamar : – “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor ; tenho-vos chamado amigos, porque vos revelei tudo quanto ouvi de meu Pai!” E, na narrativa de Lucas, ouvimo-lo dizer, antes da hora extrema : – “Tenho desejado anuías ente comer convosco esta Páscoa, antes da minha paixão”.

Ninguém no mundo já conseguiu elevar à altura em que o Senhor as colocou a beleza e a amplitude doe elos afetivos, mesmo porque a sua obra inteira é a de reunir, pelo amor, todas as nações e todos os homens, no círculo divino da família universal. Mas, também, por demonstrar que o reino de Deus deve constituir a preocupação primeira das almas, ninguém. como ele soube retirar-se das posições, no instante oportuno em que obedecia aos desígnios divinos. Depois da magnífica vitória da entrada em Jerusalém, é traído por um dos discípulos amados; negam-no os seus seguidores e companheiros ; suas idéias são tidas como perversoras e revolucionárias; é acusado como bandido e feiticeiro ; sua morte passa por ser a de um ladrão.

Jesus, entretanto, ensina às criaturas, nessa hora suprema, a excelsa virtude de retirar-se com a solidão dos homens, mas com a proteção de Deus. Ele, que transformara toda a Galiléia numa fonte divina ; que se levantara com desassombro contra as hipocrisias do farisaísmo do tempo ; que desapoiara os cambistas, no próprio templo de Jerusalém, como advogado enérgico e superior de todas as grandes causas da verdade e do bem, passa, no dia do Calvário, em espetáculo para o povo, com a alma num maravilhoso e profundo silêncio. Sem proferir a mais leve acusação, caminha humilde, coroado de espinhos, sustendo nas mãos uma cana imunda à guisa de cetro, vestindo a túnica da ironia, sob as cusparadas dos populares exaltados, de faces sangrentas e passas vacilantes, sob o peso da cruz, vilipendiado, sem articular uma queixa.

No momento do Calvário, Jesus atravessa as ruas de Jerusalém, como se estivesse diante da humanidade inteira, ensinando a virtude da renuncia por amor do reino de Deus, revelando ser essa a sua derradeira lição.



Do livro “Boa Nova”. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

sábado, 1 de maio de 2010

DEUS EXISTE?



DEUS EXISTE?

A questão de numero quatro do Livro dos Espíritos fala sobre a existência de Deus. Vamos transcrevê-la:
4. Onde se pode encontrar a prova da existência de Deus?
“Num axioma que aplicais às vossas ciências. Não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem e a vossa razão responderá.”
Para crer-se em Deus, basta se lance o olhar sobre as obras da Criação. O universo existe, logo tem uma causa. Duvidar da existência de Deus é negar que todo efeito tem uma causa e avançar que o nada pôde fazer alguma coisa.

Ora, podemos pensar o universo como uma máquina não criada? Os físicos e astrofísicos falam sobre a grande explosão que teria dado origem ao nosso universo; no entanto é preciso pensar que para que haja uma explosão é preciso que haja uma pressão interna sobre um tipo de matéria ou gases. Para que essa matéria ou gases existissem e estivessem lá no ponto de origem da grande explosão ou teriam sido postos lá ou criados. Mas, quem os criou?
Outro ponto a se perguntar é sobre a forma como a matéria se organiza (e chamamos matéria não só as formas densas como esta se apresenta, mas também a matéria quintessenciada ou ao que conhecemos como antimatéria). Podemos observar e até deduzir leis que demonstram um processo organizado, ativo e permanente de combinações e recombinações de elementos químicos que originam os mais variados processos materiais. Em outras palavras: se tudo começou com uma explosão, por que a matéria se recombina de forma tão organizada? Para isso podemos lembrar a Lei das proporções Simples e Definidas que diz: Os elementos químicos se combinam em proporções simples e definidas. Ou seja, é como se para tudo houvesse uma receita, como uma receita de bolo. Todas as vezes que o elemento oxigênio se combina com dois elementos de Hidrogênio temos água. Não há confusão nisso. É simples.
Dessa forma todos os elementos foram organizados assim.
Quando falamos de organização podemos supor que um principio inteligente atua por traz desse processo. Só pode haver organização onde pode haver inteligência. Concordam? Ou então podemos voltar para o princípio da explosão. Podemos ter uma explosão onde os elementos aparecem organizados e arrumados de tal forma que parecem ter sido colocados em pequenos pacotes? Experimente explodir uma bombinha junina. Você pode separar seus pedacinhos e organizá-los durante a explosão? Impossível, não?
Penso ser esse o primeiro princípio que demonstra a organização da natureza, desde as galáxias até a tartaruguinha que viaja pelos oceanos mas que sempre volta ao seu local de nascimento, sem que se saiba por que.
Podemos ignorar tudo isso e dar ao acaso o mérito por tal organização. Mas isso me parece um certo tipo de cegueira narcísica, do tipo: se não é como eu quero que seja, eu prefiro desconhecer.
Assim da mesma forma que podemos reconhecer a autoria de um quadro pela técnica que o pintor utilizou podemos reconhecer a autoria da Criação pela “assinatura” do Criador. Deus assina sua criação com uma riqueza de detalhes que é impossível não reconhecê-la como obra perfeita e ao mesmo tempo evolutiva. Evolutiva sim porque ele continua a criar sempre. Deus trabalha permanentemente. Quando olhamos as galáxias, as nebulosas e seus cemitérios e berços de estrelas vemos a face do Supremo Artista. Numa forma mais simples vemos que ainda hoje biólogos descobrem diariamente novas espécies de animais ou plantas. Somente o homem sua maior criação ainda persiste em caminhar como retardatário desse processo. Mas Deus tem tempo. O tempo é o senhor de todas as coisas, mas Deus é o Senhor do Tempo.
Ainda nesse mesmo capítulo, o Livro dos Espíritos discorre sobre os atributos da divindade. Para mim basta um: a perfeição. Dela se originam todos os outros que ainda não podemos pensar.
As questões cinco e seis, falam-nos do sentimento que é comum a todos os homens até mesmo ao selvagem. Há no ser humano a intuição dessa presença. Desse “Algo”. Alguns até podem pensar que não possuem esse sentimento, que a existência de Deus não é parte das suas inquirições. Discordo. Tenho observado na clínica psicológica que as pessoas com mais dificuldade de lidar com esse aspecto, são pessoas com situações traumáticas ligadas à paternidade. Mas, não vamos “psicanalisar” as coisas. Chico Xavier dizia que não há ateus em um avião caindo.
Fiquemos então no aguardo da nossa própria evolução para entendermos um pouco mais dessa essência. Por enquanto, é fechar os olhos, meditar e deixar-se invadir por esse sentimento de paz e de amor paternal.
Paz e harmonia atodos!

domingo, 25 de abril de 2010

O QUE É OBSESSÃO?





Para responder a essa pergunta vamos nos reportar ao Livro dos Médiuns, que poderíamos classificar como a metodologia da ciência do mundo espiritual, no item 237:
Entre os escolhos que apresenta a prática do Espiritismo, cumpre se coloque na primeira linha a obsessão, isto é, o domínio que alguns Espíritos logram adquirir sobre certas pessoas. Nunca é praticada senão pelos Espíritos inferiores, que procuram dominar. Os bons Espíritos nenhum constrangimento infligem. Aconselham, combatem a influência dos maus e, se não os ouvem, retiram-se. Os maus, ao contrário,se agarram àqueles de quem podem fazer suas presas. Se chegam a dominar algum, identificam-se com o Espírito deste e o conduzem como se fora verdadeira criança.
Em que pese o aspecto “maravilhoso” e chamativo que algumas pessoas observam e até desejam na prática mediúnica, a obsessão é a grande ferida que se abre na alma humana (independente ou não de sermos médiuns ostensivos) e que nos conduz ao aspecto doloroso do trabalho espírita.
Como médiuns aprendemos a lidar com a dor, a vingança e a perseguição tenaz (de uma vez que o verbo obsidiar vem do latim e significa perseguir tenazmente, sem trégua) por parte de um desencarnado contra o encarnado. Como vítimas da obsessão também sofremos essa perseguição.
A obsessão pode ocorrer de desencarnado para encarnado, de encarnado para desencarnado, de encarnado para encarnado.
Pelas nossas dificuldades e erros podemos atrair companhias espirituais que são atraídas por nós como moscas pela sujeira. Essa é a obsessão de desencarnado para encarnado.
Quando a morte leva alguém a quem amamos, precisamos nos equilibrar para que os nossos lamentos (não é a saudade, esta sempre irá nos acompanhar) não atraiam o nosso ente querido que certamente sofrerá ao ver nosso estado. Devemos orar por nossos amados e aguardar com fé e equilíbrio o momento do reencontro. Quando isso não acontece, temos a obsessão do desencarnado pelo encarnado. Preces e ajuste são o que precisamos para não causar sofrimento ao que se foi.
O pensamento obsessivo, seja por uma paixão desequilibrada ou por ódio a um encarnado, pode criar um tipo de obsessão que chamamos de encarnado para encarnado.
Quanto a intensidade, a obsessão pode ser: obsessão simples, fascinação e subjugação (erroneamente chamada de possessão).
Na obsessão simples o espírito insiste em comunicar-se, pode tomar o nome de outro e apresentar-se como tal, ou ainda insistir em produzir manifestações de efeitos físicos tais como ruídos, pancadas ou mesmo fogo. Nesse caso, o médium tem consciência da situação e pode defender-se como se fosse apenas mais um aborrecimento causado pelo espírito obsessor.
Na fascinação, o espírito apresenta-se sob nomes louváveis e faz com que o médium (geralmente muito orgulhoso) acredite que é muito importante ou que tem uma missão que somente ele é digno de desempenhar. O senso crítico fica comprometido e podemos observar mensagens pueris assinadas por espíritos honoráveis, quando não pelo próprio Jesus, pois não há escrúpulos de parte do obsessor. Enganar é o seu ofício. Mudança de comportamento geralmente acompanha esse problema.
O mais alto grau de obsessão chama-se subjugação e geralmente de corre da fascinação que não foi tratada devidamente. Como o próprio nome diz, o espírito mantém um domínio quase absoluto da sua vítima, levando-a a comportamentos bizarros e a dar comunicação em qualquer lugar. Na Idade Média acreditava-se que era o próprio Diabo que se apossava do corpo da vítima e o comandava como a uma marionete. Hoje, sabemos que não é possível a nenhum espírito entrar no corpo de um encarnado. Ele liga-se á sua mente como se fora uma tomada elétrica e domina os núcleos cerebrais responsáveis por todas as ações da sua vítima. Muitas vezes o processo é tão violento que aparece como um estado de loucura permanente. Claro que nem toda loucura é obsessão, mas em sua maioria há sempre uma influência de desencarnados.
Observar seu comportamento, vigiar seus atos, desconfiar de atitudes impensadas ou agressivas, irritabilidade acentuada sem motivo, uso de palavrões sem escrúpulos podem ser pontos indicadores dessa “doença” da mediunidade.
O tratamento consiste em orar e vigiar, como nos apontou Jesus. Deve-se procurar um grupo espírita bem organizado, iniciar os tratamentos que forem designados , geralmente Evangelho no Lar, Passes e água fluidificada ; bem como procurar perceber que tipo de comportamento pode estar atraindo o irmão obsessor. O mais importante: Ore por esse inimigo que te busca. Orar pelos inimigos é a maior prova de caridade. Como diz Kardec: Fora da Caridade não há salvação.
Uma semana de paz, harmonia e amor.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

PROIBIÇÃO BÍBLICA DE SE CONSULTAR OS MORTOS



DA PROIBIÇÃO BÍBLICA DE SE CONSULTAR OS MORTOS

Muitas religiões fundamentadas na Bíblia proíbem o relacionamento ou a consulta aos chamados “mortos”. Como conseqüência não conseguem entender a Doutrina dos Espíritos principalmente no que concerne a mediunidade e a capacidade de ver e ouvir os que já se foram.
Na obra O Céu e o Inferno – A justiça divina segundo o Espiritismo; no capítulo XI que tem por título Da Proibição de Evocar os Mortos; Kardec e os Espíritos falam sobre o Levítico e o Deuteronômio (livros do Velho Testamento) , de uma vez que não existe nada a esse respeito nos Evangelhos. Vejamos as citações:
"Não é permitido entreter relações com eles (os Espíritos), seja imediatamente,seja por intermédio dos que os evocam e interrogam. A lei mosaica punia os gentios.
Não procureis os mágicos, diz o Levítico, nem procureis saber coisa alguma dos adivinhos, de maneira a vos contaminardes por meio deles. (Cap. XIX, v. 31.) Morra de morte o homem ou a mulher em quem houver Espírito pitônico; sejam apedrejados e sobre eles recaia seu sangue. (Cap. XX, v. 27.)”

E prossegue no Deuteronômio:
O Deuteronômio diz: Nunca exista entre vós quem consulte adivinhos, quem observe sonhos e agouros, quem use de malefícios, sortilégios, encantamentos, ou consultem os que têm o Espírito pitônico e se dão a práticas de adivinhação interrogando os mortos. O Senhor abomina todas essas coisas e destruirá, à vossa entrada, as nações que omitem tais crimes." (Cap.XVIII, vv. 10, 11 e 12.)

Se lembrarmos do episódio narrado na Bíblia no Livro do Êxodo onde ao descer do monte Sinai, Moisés encontra o povo judeu realizando o culto ao bezerro de ouro dentre outras práticas. Moisés fica tão revoltado que quebra as tábuas da Lei. É a partir desse episódio que o legislador percebe a necessidade de fechar o cerco às práticas estranhas ao judaísmo e que por um processo de assimilação cultural estavam sendo usadas pelo seu povo. O próprio Aarão, irmão de Moisés havia construído o ídolo dourado. O povo judeu vivera no Egito como escravo, por sua vez os escravos egípcios vinham da mais diversas regiões onde havia inclusive a prática de sacrifícios humanos, principalmente do infanticídio.

Havia também práticas ligadas a adivinhações, necromancia (o uso de cadáveres humanos, animais, ou partes destes) como forma de adivinhação e mais ainda, todos esses costumes ou práticas eram muitas vezes pagos a peso de ouro. As adivinhas eram então chamadas de pitonisas . É sobre essas práticas que legislam os livros citados.

Mas o que tem isto a ver com a Doutrina Espírita? Nada, a não serem semelhanças no que concerne aos usos e abusos da mediunidade. Ou seja, tanto a Bíblia como a Doutrina dos Espíritos proíbem a venda dos dons mediúnicos. Não é permitido usar a mediunidade como fonte de renda. O Espiritismo não permite que se consultem os Espíritos para adivinhações, para descobrir fatos sem importância para o progresso da humanidade, para obter vantagens sobre o próximo e especialmente sem respeito pelo espírito comunicante e que não seja para ajudá-lo a progredir.O Espiritismo também não aceita que se consultem cartomantes ou leitores de sorte. O intercâmbio com o mundo espiritual deve ser respeitoso e sem fins lucrativos. Como dizia Chico Xavier: “ O telefone só toca de lá para cá”. É outra recomendação.
Mas por que proibir o contato com os mortos se estes não podiam responder? Não é absurdo que haja uma proibição sobre algo que não pode acontecer?
Existem ainda passagens no Velho testamento, onde o próprio Moisés diz que gostaria de ter pelo menos dez jovens que pudessem aconselhá-lo usando o contato com o mundo invisível. Isto sem falar nos livros proféticos como Isaías, Neemias, Habacuque entre outros. Ele também pede ajuda a Deus que lhe responde:
O Senhor disse a Moisés: “Reúne-me setenta homens dentre os anciãos de Israel que tu conheces como anciãos e magistrados do povo, e traze-os à tenda de reunião, onde devem esperar contigo. 17 Descerei ali para falar contigo. Retirarei um pouco do espírito que há em ti e incutirei neles, para que te ajudem a carregar o fardo do povo e já não o suportes sozinho. Num.11-16.17

Mais adiante, em Números 12.6 é demonstrada a necessidade da comunicação mediúnica:
Escutai as minhas palavras:
Se houver entre vós um profeta
eu me revelarei em visões e lhe falarei em sonhos.


Sabemos que no Novo Testamento inúmeros fenômenos mediúnicos. A própria história do Cristianismo começa com um fenômeno mediúnico: A Anunciação (Lucas: 1: 26 a 38)
É muito importante que nós espíritas nos habituemos a consultar os livros da Codificação. Infelizmente, até mesmo em algumas casas espíritas as pessoas se limitam ao estudo do Livro dos Espíritos e do Evangelho Segundo o Espiritismo. Até mesmo o Livro dos Médiuns é pouco conhecido, em que pese haver grupos mediúnicos funcionando.
Espírita que não conhece a Codificação é absurdo. Médium que não conhece as regras do intercâmbio entre o mundo espiritual e o nosso; regras essas exaustivamente estabelecidas e analisadas no livro dos médiuns, é suicida.
Estude, aprenda. Se tiver dificuldades para ler ou para aprender, busque pessoas ou grupos na sua Casa Espírita que possam explicar e ajudá-lo. Muita paz em nome de Jesus!

sábado, 17 de abril de 2010

DEUS TE FAÇA FELIZ




Deus Te Faça Feliz




Agradeço, alma irmã, todo o concurso

Com que me reconforta e garantes,

Fazendo-me canal mesmo singelo

De assistência e de alívio aos semelhantes!. . .


O prato generoso que me deste

Não foi somente auxílio à penúria pungente,

Fez-se clarão iluminando anseios,

Felicidade para muita gente.


A roupa usada com que me brindaste,

Além da utilidade em que se aprova,

Transfigurou-se em benção de esperança

A busca de serviço e vida nova.


E leve cobertor que me entregaste

E parecia aos olhos simples pano,

Converteu-se em presença da fé viva

Entretecida de calor humano!. . .


Recursos vários que me ofereceste,

Muito mais que socorro à pessoa insegura,

Transformaram-se em festa de alegria

E retorno ao regaço da ventura.


Por tudo que me dás em bondade e trabalho,

Repito-te no amor que a palavra não diz:

“pelo Dom de servir nos bens com que me amparas,

Deus te guarde, alma irmã!. . . Deus te faça feliz!. . .”



Livro Encontro de Paz - Maria Dolores - Psicografia Chico Xavier
Amigos: Ainda estou com tendinite e por isso é mais fácil publicar poesias. Paz a todos. Marise

quarta-feira, 14 de abril de 2010




DE ALMA PARA ALMA



Escuta, alma querida!

Ante as perturbações e os empeços da vida,

Onde não possas ajudar

A dissipar a treva e extinguir o pesar,

Nada fales, em vão!...

Uma palavra, às vezes, tão-somente,

Na moldura de um gesto irreverente,

Basta para espancar o coração.



Se anotas sombra e dor, por onde jornadeias

Dá consolo e respeito às aflições alheias...

Tempo vai, tempo vem...

E assim como o carvão se faz diamante puro,

Na forja do destino, em louvor do futuro,

Todo o mal se converte em coluna do bem.



Usa o verbo, esparzindo novas luzes,

Não condenes, não firas, não acuses!...

Onde enxergares pedra, lodo, espinho,

Cobre de paz e amor as lutas do caminho.



Lembremos nossos erros, teus e meus!...

Todos sofremos provas, alma boa,

Trabalha, serve, ajuda, ama e abençoa

E encontrarás contigo a presença de Deus.



Do livro Antologia da Espiritualidade. Psicografia de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Maria Dolores

segunda-feira, 12 de abril de 2010

NÃO VIM DESTRUIR A LEI

O primeiro capítulo do Evangelho Segundo o Espiritismo inicia-se com esse título. Logo em seguida vemos que esse capítulo trata das três revelações: Moisés, Cristo e o Espiritismo. Mas por que são chamadas as três revelações? Muitos espíritas chamam a doutrina espírita de terceira revelação, mas não sabem por quê. Sabemos que a própria doutrina nos convida a não aceitar idéias sem questionamento, de uma vez que é seu objetivo esclarecer e iluminar seus adeptos.
Para aprofundar nossas questões, falaremos inicialmente sobre as chamadas religiões reveladas. São religiões reveladas aquelas que se iniciam a partir do contato direto com Deus ou com seus mensageiros. Por isso, a primeira religião revelada de que temos notícia é o Judaísmo. Esse se inicia com Moisés que recebe de Deus as tábuas da Lei Mosaica com os dez mandamentos.
Hoje, graças a Doutrina dos Espíritos sabemos que o que ocorreu foi um fenômeno de psicografia, que deu origem ao primeiro livro de pedra que se tem notícia. Vários fenômenos ocorreram naquele momento em que Moisés subiu ao Monte Sinai. Hoje sabemos que foram fenômenos mediúnicos de uma vez que Moisés era um excepcional médium de efeitos físicos. Como o povo que ele liderava desde a fuga do Egito era ainda bastante indisciplinado, Moisés teve que criar toda uma legislação para poder lidar com os problemas do povo judeu, conforme podemos ver no Velho Testamento.
Mas, ainda faltava muito. A lei mosaica, em virtude do mau uso ou do embrutecimento das pessoas da época, tornou-se implacável e dura. É então que vem a segunda revelação; Jesus Cristo.
Como o próprio Mestre esclarece, ele não veio para destruir a lei de Deus (ou seja, os dez mandamentos), mas para ratificá-la, esclarecê-la principalmente por conta da “ dureza dos nossos corações”, ao mesmo tempo em que pontua que havia mais coisas para se dizer, mas que ainda não era tempo. Os Evangelhos foram escritos a partir do contato de Jesus os espíritos superiores, mas não foram escritos pelo Mestre. Para isso, além de todos os fenômenos mediúnicos que ocorreram durante o contato de Jesus e dos apóstolos com o povo, vemos também a mediunidade dos evangelistas que foram “repórteres” do mundo maior, da boa nova. Alem dos quatro evangelhos conhecidos existem os chamados evangelhos apócrifos (não canônicos), ou seja, os que não obedecem a um Canon (regra especial de onde são derivadas as regras gerais).
Nos evangelhos Jesus em alguns momentos nos avisa que nem tudo pode ser dito, e que quando chegar o momento ele nos enviaria um “Consolador prometido”. É então que começa a missão de Léon Hipolyte Denizard Rivail – o Allan Kardec – que instruído pelos espíritos elabora as perguntas que mais tarde constituiriam o Livro dos Espíritos que é publicado em 18 de abril de 1857. Chegara finalmente o momento da Terceira Revelação. Nascia a Doutrina Espírita, conforme nos fora prometido pelo nosso amado mestre Jesus.

sábado, 10 de abril de 2010

FALANDO DO CHICO

Recebi de uma amiga um e-mail com um texto da carta atribuída ao Sr. Richard Simonetti para a revista SUPERINTERESSANTE e aproveito para transcrevê-la:

Repassando carta do escritor e pesquisador espírita Richard Simonetti à redação da revista Superinteressante sobre a reportagem "Chico Xavier - Uma investigação", publicada na edição 277 (abril/2010).


Senhor Sérgio Gwercman
Diretor de redação da revista Super Interessante

Sou assinante dessa revista há muitos anos. Sempre a encarei como publicação séria, fonte de informações a oferecer subsídios para meu trabalho como escritor espírita, autor de 49 livros publicados.
Essa concepção caiu por terra ao ler, na edição de abril, infeliz reportagem sobre Francisco Cândido Xavier, pretensiosa e tendenciosa, objetivando, nas entrelinhas, denegrir e desvalorizar o trabalho do grande médium.
Isso pode ser constatado já na seção “Escuta”, com sua assinatura, em que V.S. pretende distinguir respeito de reverência, como se reverência não fosse o respeito profundo por alguém, em face de seus méritos.
Podemos e devemos reverenciar Chico Xavier, não por adesão de uma fé cega, mas pela constatação racional, lúcida, lógica, de que estamos diante de uma personalidade ímpar, que fez mais pelo bem da Humanidade do que mil edições de Superinteressante, uma revista situada como defensora do bom jornalismo, mas que fez aqui o que de pior existe na mídia – a apreciação superficial e tendenciosa a respeito de alguém ou de uma notícia, com todo respeito, como pretende seu editorial, como se fosse possível conciliar o certo com o errado, o boato com a realidade, o achincalhe com o respeito.
Para reflexão da repórter Gisela Blanco e redatores dessa revista que em momento algum aprofundaram o assunto e nem mesmo se deram ao trabalho de ler os principais livros psicografados pelo médium, sempre com abordagem superficial, pretendendo “explicar” o fenômeno Chico Xavier, aqui vão alguns aspectos para sua reflexão e – quem sabe? – um cuidado maior em futuras reportagens.
De onde a repórter tirou essa bobagem de que “toda essa história começou com as cartas dos mortos?”
Se as eliminarmos em nada se perderá a grandeza de Chico Xavier. A história começa bem antes disso, com a publicação, em 1932, do livro Parnaso de Além-Túmulo, quando o médium tinha apenas 22 anos.
A reportagem diz: “Ele dizia que não escolhia os espíritos a quem atenderia, só via fantasmas e ouvia vozes. Mas parecia ser o escolhido por celebridades do céu. Cruz e Souza, Olavo Bilac, Augusto dos Anjos e Castro Alves lhe ditaram versos e prosa.”
Afirmativa maliciosa, sugerindo o pastiche, a técnica de copiar estilo literário. O repórter não se deu ao trabalho de observar que no próprio Parnaso há, nas edições atuais, 58 poetas desencarnados, menos conhecidos e até desconhecidos, como José Duro, Alfredo Nora, Alma Eros, Amadeu, B.Lopes, Batista Cepelos, Luiz Pistarini, Valado Rosa… Poetas do Brasil e de Portugal que se identificam pelo seu estilo, em poesias personalíssimas enriquecidas por valores de espiritualidade.
Não sabe ou preferiu omitir a repórter que Chico psicografou poesias de centenas de poetas desencarnados, ao longo de seus 75 anos de apostolado, na maior parte poetas provincianos, conhecidos apenas nas cidades onde residiam no interior do Brasil. Pesquisadores constatam que esses poemas não são “razoavelmente fiéis ao estilo dos autores”. São totalmente fiéis.
Não tem a mínima noção de que a técnica do pastiche, a imitação de estilo literário, é extremamente difícil, quase impossível. Pastichadores conseguem imitar uma página, uma poesia de alguém, jamais toda uma obra ou as obras de centenas de autores.
Afirma que Chico foi autodidata e leitor voraz durante toda a vida, sempre insinuando o pastiche. Leitor voraz? Passava os dias lendo? Só quem não conhece sua biografia pode falar uma bobagem dessa natureza, já que Chico passava a maior parte de seu tempo atendendo pessoas, psicografando, participando de reuniões e atendendo à atividade profissional. Não conheço um único documentário, uma única foto mostrando Chico lendo “vorazmente”. Ah! Sim! Para a repórter Chico certamente escondia isso.
Fala também que Chico teria 500 livros em sua biblioteca e que “a lista inclui volumes de autores cujo espírito o teria procurado para escrever suas obras póstumas, como Castro Alves e Humberto de Campos”.
E as centenas de poetas e escritores que se manifestaram por seu intermédio. Chico tinha livros deles? E de poetas que sequer publicaram livros?
Quanto a Humberto de Campos, cuja família tentou receber na justiça os direitos autorais pelas obras psicografadas por Chico, o que seria ótimo acontecer, o reconhecimento oficial da manifestação dos Espíritos, esqueceu-se a repórter de informar que Agripino Grieco, o mais famoso crítico literário de seu tempo, recebeu uma mensagem do escritor, de quem era amigo. Reconheceu que o estilo era autenticamente de Humberto de Campos, mas que o fato para ele não tinha explicação, já que, como católico praticante, não admitia a possibilidade de manifestação dos espíritos.
Esqueceu ou ignora que Chico, médium psicógrafo mecânico, recebia duas mensagens simultaneamente, com ambas as mãos sendo usadas por dois espíritos. Desafio Superinteressante a encontrar um prestidigitador capaz de fazer algo semelhante.
Uma pérola de ignorância jornalística está na referência sobre materialização de Espíritos: “seria necessário produzir um total de energia duas vezes maior do que é hoje produzido pela hidroelétrica de Itaipu por ano, segundo os cálculos feitos por especialistas exibidos por reportagens sobre Chico nos anos 70.” Seria superinteressante a repórter ler sobre as pesquisas de Alfred Russel Wallace, Oliver Joseph Lodge, Lord Rayleigh, William James, William Crookes, Ernesto Bozzano, Cesare Lombroso, Alexej Akzacof e muitos outros cientistas respeitáveis que estudaram o fenômeno da materialização e o admitiram. Leia, também, sobre quem eram esses cientistas, para constatar que não agiam levianamente como está na revista.
A repórter reporta-se às reuniões mediúnicas das quais Chico participava como shows que o tornaram famoso e destila seu veneno. Cita o sobrinho de Chico que, dizendo-se médium, confessou que era tudo de sua cabeça, o mesmo acontecendo com o tio. Por que passar essa informação falsa, se o próprio sobrinho de Chico, notoriamente perturbado e alcoólatra, pediu desculpas pela sua mentira? Joga penas ao vento e espera que o leitor as recolha? Omitiu também a informação de que ele confessou que pessoas interessadas em denegrir o médium pagaram-lhe pela acusação.
Eram frequentes nas reuniões a ocorrência de fenômenos como a aspersão de perfumes no ambiente, algo que, deveria saber a repórter, costuma ocorrer com os médiuns de efeitos físicos. No entanto, recusando-se a colher informações mais detalhadas sobre o assunto, limitou-se a dizer que em 1971 um repórter da revista Realidade, José Hamilton Ribeiro, denunciou que viu um dos assessores de Chico Xavier levantar o paletó discretamente e borrifar perfume no ar. Sugere que havia mistificação, aliás, uma tônica na reportagem. Por que não foram consultadas outras pessoas, inclusive centenas que tiveram seus lenços inexplicavelmente encharcados de perfume ou a água que levavam para magnetizar, a exalar também um olor suave e desconhecido que perdurava por muitos dias?
Na questão das cartas, milhares e milhares de cartas de Espíritos que se comunicavam com os familiares, sugere a repórter que assessores de Chico conversavam com as pessoas, anotando informações para dar-lhes autenticidade. Lamentável mentira. E ainda que isso acontecesse, Chico precisaria ser um prodígio para ler rapidamente as informações e inseri-las no contexto de cada mensagem, de cada espírito, mistificando sempre.
E as mensagens dirigidas a pessoas ausentes? E os recados aos presentes? Não eram só mensagens. Eram incontáveis recados. A pessoa aproximava-se de Chico e ele, sem conhecer nada de sua vida, transmitia recados de familiares desencarnados, na condição de um ser interexistente, que vivia simultaneamente a vida física e a espiritual, em contato permanente com os Espíritos.
Lembro o caso de um homem inconformado com a morte de um filho. Ia toda noite deitar-se na sepultura do rapaz, querendo “ficar com ele”. Não contava a ninguém, nem mesmo aos familiares. Em Uberaba recebeu mensagem do filho pedindo-lhe que não fizesse isso, porquanto ele não estava lá.
Durante muitos anos Chico psicografou receituário mediúnico de homeopatia. Perto de 700 receitas numa noite. Ficava horas psicografando. E os medicamentos correspondiam à natureza do mal dos pacientes, sem que o médium deles tivesse o mínimo conhecimento. Na década de 70 tive uma uveíte no olho esquerdo. Compareci à reunião de receituário. Escrevi meu nome e idade numa folha de papel. Não conversei com ninguém. Após a reunião recebi a indicação de dois medicamentos. Tornando a Bauru, onde resido, verifiquei num livro de homeopatia que o dois medicamentos diziam respeito ao meu mal. Curaram-me.
Concebesse a repórter que, como dizia Shakespeare, há mais coisas entre a Terra e o Céu do que concebe nossa vã sabedoria, e não se atreveria a escrever sobre assuntos que desconhece, com o atrevimento da ignorância.
Outras “pérolas” da reportagem:
Oferece “explicações” lamentáveis para o fenômeno Chico Xavier.
Psicose, confundindo mediunidade com anormalidade.
Epilepsia, descarga elétrica que “poderia causar alheamento, sensação de ausência, automatismo psicomotor”, segundo a opinião de um médico. Descreve algo inerente ao processo mediúnico, que não tem nada a ver com desajuste mental, ou imagina-se que o contato com o Espírito comunicante não imponha uma alteração nos circuitos cerebrais, até para que ocorra a manifestação? E porventura o médico consultado sabe de algum paciente que produza textos mediúnicos durante a crise epilética?
Criptomnésia, memórias falsas, lembranças escondidas no subconsciente do médium, ao ouvir informações sobre o morto. Inconscientemente ele “arranjaria” essas informações para forjar a “manifestação”.
Telepatia. Aqui o médium captaria informações da cabeça dos consulentes e as fantasiaria como manifestação do morto. Como dizia Carlos Imbassahy, grande escritor espírita, inconsciente velhaco, porquanto sempre sugere que é um morto quem se manifesta, não ele próprio.
Informa a repórter que “acuado pelas críticas na Pedro Leopoldo de 15 mil habitantes, Chico resolveu fazer as malas e partir para Uberaba, um polo do Espiritismo onde contaria com um apoio de amigos”.
Mentira. Ele deixou Pedro Leopoldo, onde tinha muitos amigos, não por estar “acuado”, mas simplesmente seguindo uma orientação do Mundo Espiritual, em face de tarefas que desenvolveria em Uberaba que, então sim, com sua presença transformou-se em “polo do Espiritismo”.
No famoso pinga-fogo a que Chico compareceu, em 1971, na TV Tupi, um marco na história das entrevistas televisivas, com uma quase totalidade de audiência, diz a repórter que Chico foi “bombardeado por perguntas. Mas se safou.” Bombardeado? Safou-se? O que foi essa entrevista, um libelo acusatório contra um mistificador? Se a repórter se desse ao trabalho de ver a entrevista toda, o que lhe faria muito bem, verificaria que o clima foi de cordialidade, de elevada espiritualidade, e que em nenhum momento os entrevistadores “bombardearam” Chico. E em nenhum momento ele deixou de responder as perguntas com a sobriedade e lisura de quem não está ali para safar-se, mas para ensinar algo de Espiritismo.
Falando da indústria (?) Chico Xavier, há um box sobre “Dieta do Chico Xavier”, que jamais seria veiculada por Chico. Usaram seu nome. Por que incluí-la nas inverdades sobre o médium, simplesmente para denegrir sua imagem, aqui sugerindo que seria ingênuo a ponto de conceber semelhante bobagem? Se eu divulgar via internet que Superinteressante recomenda o uso de cocô de galinha para deter a queda de cabelos, seria razoável que alguma revista concorrente citasse essa tolice, mencionando a suposta autoria, sem verificação prévia?
Falando dos 200 livros biográficos sobre Chico Xavier, a repórter escreve: “Tem até um de piadas, Rindo e Refletindo com Chico Xavier”. Certamente não leu o livro, porquanto não conhece nem o autor, eu mesmo, Richard Simonetti, nem sabe que não se trata de um livro de piadas, mas um livro de reflexão em torno de ensinamentos bem-humorados do médium.
Não fosse algo tão lamentável, tão séria essa agressão contra a figura respeitável e venerável de Chico Xavier, eu diria que essa reportagem, ela sim, senhor redator, foi uma piada de péssimo gosto!
Doravante porei “de molho” as informações dessa revista, sem o crédito que lhe concedia.
A repórter Gisela Branco esteve em Pedro Leopoldo e Uberaba com o propósito de situar Chico Xavier como figura mitológica. É uma pena! Não teve a sensibilidade nem o discernimento para descobrir o médium Chico Xavier, cuja contribuição em favor do progresso e bem estar dos homens foi tão marcante que, a exemplo do que disse Einstein sobre Mahatma Gandhi, “as gerações futuras terão dificuldade para conceber que um homem assim, em carne e osso, transitou pela Terra.”
E deveria saber que não vemos Chico Xavier como um mártir, conforme sugere. Não morreu pelo Espiritismo. Viveu como espírita. E se algo se aproxima de um martírio em seu apostolado, certamente foi o de suportar tolices e aleivosidades como aquelas presentes na citada reportagem.
Finalizando, um ditado Zen para reflexão dos redatores da Super:
O dedo aponta a lua.
O sábio olha a lua.
O tolo olha o dedo.


Richard Simonetti
Bauru, 3 de abril de 2010.

Não sei se essa carta é verdadeiramente do Sr. Richard Simonetti, mas, se não é aplaudo de pé quem a escreveu. Como vimos, há pessoas que são tão tolas que muitas vezes estão diante da verdade e não conseguem enxergar. Conta-se que o infeliz rei da França, Luiz XVI, embora estivesse a par dos movimentos populares daquele dia escreveu em seu diário:
“Paris, 14 de julho de 1789, hoje nada de importante aconteceu”.

Começava a Revolução Francesa. E “só Carolina não viu”.
Há pessoas de uma insensibilidade tão grande que chegam a ser tolas. Essa repórter não daria nem mesmo uma boa “Foca” (repórter iniciante), pois para ser foca é preciso perceber o fato jornalístico como ele é e ser fidedigno à notícia que vai dar aos seus leitores. “É que Narciso acha feio o que não é espelho”; já dizia o poeta. Não conseguindo ver a beleza do que tinha que noticiar, a tola repórter apenas mostrou o que havia em sua alma preconceituosa, infeliz e ferina. Nada acrescentarei aos comentários tecidos na carta, mas com toda certeza não posso mais levar em conta os assuntos tratados nessa revista que de agora em diante pode me contar entre seus ex-assinantes.

Marise

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Foi Porque Deus Quiz

Estamos assistindo nos meios de comunicação a tragédia das enchentes e deslizamentos de terras que está abalando o Rio de Janeiro. Episódios de profunda tristeza, com desabrigados, desalojados e mortos, dentre eles inúmeros jovens e crianças, alguns ainda na primeira infância. Muitos de nós temos perguntado: Por que essas coisas acontecem?
Aprendemos ou ouvimos muitas vezes que eram castigos que Deus impunha a seus filhos pelos seus desvios e pecados. Numa visão mais branda e até mesmo na visão de alguns espíritas desinformados, ouvimos que era o carma daquelas pessoas desencarnarem dessa forma para poderem pagar suas dívidas com Deus e com o seu próximo. Mas seria essa uma visão justa da infinita bondade do Nosso Pai? Vamos refletir um pouco sobre essas questões.
Imagine que você tivesse emprestado um dinheiro ao seu filho e que esse prometer pagar em certo tempo combinado entre vocês. Imagine também que por incapacidade em administrar seus bens ou por impulsividade seu filho não tenha conseguido juntar o dinheiro necessário para pagar o empréstimo. O que você faria? Você enviaria outro filho para cobrar o dinheiro e recomendaria que em caso de não quitação o filho cobrador matasse o filho devedor como forma de pagamento pela dívida? Possivelmente não. Um pai ou mãe jamais tomaria a vida de um filho em troca de qualquer que fosse o valor devido, mesmo que esse filho tivesse agido de má fé.
Então imagine que em vez de mandar um cobrador, você mesmo articulasse uma forma de fazer seu filho pagar pelo seu desvio causando-lhe um dano físico ou fazendo uma armadilha onde esse pudesse se ferir gravemente ou mesmo perder a vida. Você se imaginaria fazendo isso? Possivelmente não.
Lembremos Jesus no Sermão da Montanha:
11Qual o pai de entre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir um peixe, lhe dará uma serpente? 12Ou, se lhe pedir um ovo, lhe dará um escorpião? (Lucas:11:11 a 12).
Se mesmo imperfeitos como somos pensamos no bem estar dos nossos filhos, como será que o Pai Celestial que é amor e perfeição absolutos pensa sobre nós. Como nos tratam os bons Espíritos? Compreendem nossos erros, sofrem por nós e nos auxiliam com seus conselhos.
Seria Deus então um agiota cruel e desalmado que cobraria nossas faltas ao pr~eço de nossa própria vida? Claro que não!
Mas, até mesmo no meio espírita vemos irmãos defendendo a idéia de que Deus nos pune pelos nossos pecados. Esqueceram de ler o Evangelho e resto da codificação.
Vejamos então essa passagem do Evangelho Segundo o Espiritismo:
Caridade para com os criminosos
14. A verdadeira caridade constitui um dos mais sublimes ensinamentos que Deus deu ao mundo. Completa fraternidade deve existir entre os verdadeiros seguidores da sua doutrina. deveis amar os desgraçados, os criminosos, como criaturas, que são, de Deus, às quais o perdão e a misericórdia serão concedidos, se arrependerem, como também a vós,pelas faltas que cometeis contra sua Lei. Considerai que sois mais repreensíveis,mais culpados do que aqueles a quem negardes perdão e comiseração, pois, as mais das vezes, eles não conhecem Deus como o conheceis, e muito menos lhes será pedido do que a vós.
(E.S.E. cap.XI. item. 14).
Observemos também em O Céu e o Inferno – A justiça divina segundo o Espiritismo – na primeira parte do capítulo 7. – O Código penal da vida futura.

“1º - A alma ou Espírito sofre na vida espiritual as conseqüências de todas as imperfeições que não conseguiu corrigir na vida corporal. O seu estado, feliz ou desgraçado, é inerente ao seu grau de pureza ou impureza.
Em outro ítem desse mesmo título temos:
5º - Dependendo o sofrimento da imperfeição, como o gozo da perfeição, a alma traz consigo o próprio castigo ou prêmio, onde quer que se encontre, sem necessidade de lugar circunscrito. 2
O inferno está por toda parte em que haja almas sofredoras, e o céu igualmente onde houver almas felizes.”

Ou seja, quando cometemos uma falta, provocamos uma alteração em nosso próprio espírito, que funciona como um sinal, um estigma, tal como se fora uma espécie de “marca de Caim” do Velho Testamento. Essa marca fica em nosso perispírito e nos distingue de todos os outros. A falta cria em nós o desequilíbrio energético que só será ajustado com a quitação.
“7º - O Espírito sofre pelo mal que fez, de maneira que, sendo a sua atenção constantemente dirigida para as conseqüências desse mal, melhor compreende os seus inconvenientes e trata de corrigir-se.”

E como se opera essa quitação? Ainda nesse mesmo item temos:

“16º - O arrependimento, conquanto seja o primeiro passo para a regeneração, não basta por si só; são precisas a expiação e a reparação.”


Ou seja, o Espírito faltoso está constantemente ligado à sua falta e tem permanentemente sua atenção dirigida para esta. Como qualquer um de nós que cometendo um erro por menor que seja e tenta encobri-lo ficando permanentemente em alerta para não se trair revelando o fato.
Como vimos, no entanto, não basta arrepender-se. É preciso expiar e reparar. Ou seja, devolver ao universo aquela energia que desequilibramos sob a forma de expiação (pagamento? Faltam palavras pela pobreza do nosso vernáculo. Eu usaria quitação). E por fim reparação.
Ora, para repararmos uma falta podemos nos utilizar de diversas atitudes. Mas a Codificação não fala de autoflagelação, castigos impostos. Se a lei humana prescreve penas alternativas e não prescreve a pena de morte (exceto em alguns países que ainda a utilizam por sua dureza) nem mesmo para aquele que praticou homicídio; porque Deus quereria que nos matássemos de uma vez que sabemos que ninguém morre?

Parece-nos então que o ponto importante é a reparação. Fazer pelo outro aquilo que gostaríamos que fizessem por nós.
Podemos argumentar contra isso que mesmo que queiramos reparar a falta, como faremos se a nossa vítima já não estiver conosco?
Lembremos então que a nossa falta não é somente contra a nossa vítima. Ela é principalmente um desequilíbrio que provocamos contra as leis que regem o universo. Devemos então nos quitar com essas leis. Daí a importância fundamental da prática da caridade.
Mais importante do que a fé, é a caridade, filha legítima do amor que pode nos reequilibrar e nos conduzir de volta ao equilíbrio energético com o universo. Daí a importância da frase: “Fora da caridade não há salvação”.

A partir dessas reflexões podemos então inferir que quando dizemos que se uma desgraça acontece é porque Deus quer ou pior ainda é porque Ele nos castigou, estamos afirmando um absurdo, uma irracionalidade.
Como poderia o amor ser vingativo ou punitivo?
Quando algo de ruim nos acontece, é porque nós nos vinculamos a uma falta e essa falta nos vincula a uma punição que será realizada por nossa falta de cuidado ou a uma reparação pelo amor e trabalho pelo próximo.
Oremos então por esses irmãos que estão sofrendo. Oremos pela natureza que está pedindo socorro pelo mal que lhe causamos. Oremos pelos desencarnados que se quitaram por suas próprias faltas.
Agradeçamos ao Senhor da Vida pelo seu imenso amor por nós e a Jesus por nos revelar esse amor. Paz a todos!

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Deus

A primeira pergunta do Livro dos Espíritos tem um ensinamento muito profundo, mas poucas vezes compreendido. “Que é Deus?” O autor das perguntas não questiona “Quem”, nem “O Que” é Deus? Você já se questionou por quê?
Se utilizasse o termo “quem”, estaria falando de uma pessoa. Por sua vez sendo pessoa seria dotada de Princípio Inteligente; ou seja, Espírito. Se utilizasse o termo “o que” estaria falando de um ser inanimado, uma cadeira ou uma planta, pois não dizemos “quem é essa samambaia?” Da mesma forma que não dizemos “quem é essa cadeira?”
Mas por que O Codificador utilizou essa filigrana para uma pergunta cuja resposta é aparentemente simples? Parece-me que pelo fato de ser aparentemente simples. Mas só aparentemente.
Então eu sugiro que você pense na resposta.
Muitos espíritas a tem na ponta da língua: “Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas”. Mas o que realmente você entende com isto? Você percebeu que a própria resposta é dada entre aspas? Natural que seja. Kardec quis justamente dar a entender ao leitor que a pergunta era dele, mas a resposta não; de uma feita que a resposta foi dada pela equipe chamada de Espírito Verdade. Essa equipe era formada por grandes sábios da Grécia antiga e grandes filósofos cristãos, bem como grandes espíritos ligados às ciências.
Sensível e dedicado a sua grande missão o Mestre de Lyon percebeu claramente que não estavam falando de algo comum, conhecido. A equipe espiritual de Verdade estava falando possivelmente de um fenômeno “somente alcançado pelo espírito a caminho da evolução. A outra pergunta que está embutida nessa questão seria: Deus é um espírito?
Reflita um pouco. Aprendemos, nós que viemos de outras crenças que Deus é um espírito. O livro da Gênese diz que o “Espírito de Deus pairava”. Vamos então avaliar essa questão:
Se Deus é um Espírito, o próprio Livro dos Espíritos diz em sua Questão 115: “Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes, isto é, sem saber.” Ou seja, Deus teria então que ter criado a si mesmo ou ter sido criado por alguém ou algo. E mais, teria sido criado simples e ignorante como todos os Espíritos. Quando diz “sem saber” é no sentido de conhecimento, ignorante.
Temos então a primeira chave para resolver nosso questionamento.
Deus então não poderia ser um Espírito. Se fosse Espírito teria sido criado por alguém. Então quem o teria criado? Além do mais seria ignorante e em sendo ignorante teria que passar pelos mesmos métodos de aprendizado de todos os outros Espíritos: A Reencarnação.
Deus é ignorante? Não. Pelo contrário. Ele é a Inteligência Suprema (maior que todas). Deus reencarnou? Nunca. Sendo perfeito não precisaria passar pela reencarnação.
Finalmente, então, o que seria Deus? Deus É. Ou seja, não foi (passado) nem será (futuro), pois está acima do tempo. Poderemos compreender melhor quando falarmos dos atributos da Divindade e relacionarmos alguns princípios da Física Atômica.
Veremos essas questões de forma simplificada nos próximos escritos.
Muita Paz!

terça-feira, 6 de abril de 2010

Pai Nosso



PAI NOSSO QUE ESTÁS NOS CÉUS,
NA LUZ DOS SÓIS INFINITOS;
PAI DE TODOS OS AFLITOS,
DESSE MUNDO DE ESCARCÉUS.


SANTIFICADO SENHOR,
SEJA O TEU NOME SUBLIME
QUE EM TODO UNIVERSO EXPRIME
CONCÓRDIA, TERNURA E AMOR.


VENHA AO NOSSO CORAÇÃO
O TEU REINO DE BONDADE,
DE PAZ E DE CARIDADE
NA ESTRADA DA REDENÇÃO.

CUMPRA-SE TEU MANDAMENTO
QUE NÃO VACILA NEM ERRA,
NOS CÉUS COMO EM TODA TERRA
DE LUTA E DE SOFRIMENTO.

DÁ-NOS O PÃO DO CAMINHO
FEITO DE LUZ NO CARINHO,
DO PÃO ESPIRITUAL.

PERDOA-NOS, MEU SENHOR,
OS DÉBITOS TENEBROSOS
DE PASSADOS ESCABROSOS,
DE INIQUIDADE E DE DOR

AUXILIA-NOS TAMBÉM,
NOS SENTIMENTOS CRISTÃOS,
A AMAR NOSSOS IRMÃOS
QUE VIVEM LONGE DO BEM.

COM A PROTEÇÃO DE JESUS
LIVRA NOSSA ALMA DO ERRO,
SOBRE O MUNDO DE DESTERRO
DISTANTE DA VOSSA LUZ.

QUE A VOSSA IDEAL IGREJA
SEJA O ALTAR DA CARIDADE
ONDE SE FAÇA A VONTADE
DO VOSSO AMOR...
ASSIM SEJA.

(Poesia de José Silvério Horta (Espírito) in Parnaso de Além Túmulo - primeiro livro publicado sob a psicografia de Chico Xavier - Ed. FEB. julho/1932.
É com alegria que iniciamos esses escritos. Para mim não há melhor início do que a prece. Principalmente quando essa prece é a nossa oração maior que vem aqui sob forma de poesia, pela sensibilidade desse espírito e sob a pena iluminada do nosso querido Chico.

Aqui falaremos de paz, mas também nos abriremos para as angústias daqueles que precisam de uma palavra de apoio. Esse é nosso espaço. espaço dos que buscam na Terceira Revelação o caminho iluminado por Jesus. Um abraço fraterno. M.M.

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