
DEUS EXISTE?
A questão de numero quatro do Livro dos Espíritos fala sobre a existência de Deus. Vamos transcrevê-la:
4. Onde se pode encontrar a prova da existência de Deus?
“Num axioma que aplicais às vossas ciências. Não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem e a vossa razão responderá.”
Para crer-se em Deus, basta se lance o olhar sobre as obras da Criação. O universo existe, logo tem uma causa. Duvidar da existência de Deus é negar que todo efeito tem uma causa e avançar que o nada pôde fazer alguma coisa.
Ora, podemos pensar o universo como uma máquina não criada? Os físicos e astrofísicos falam sobre a grande explosão que teria dado origem ao nosso universo; no entanto é preciso pensar que para que haja uma explosão é preciso que haja uma pressão interna sobre um tipo de matéria ou gases. Para que essa matéria ou gases existissem e estivessem lá no ponto de origem da grande explosão ou teriam sido postos lá ou criados. Mas, quem os criou?
Outro ponto a se perguntar é sobre a forma como a matéria se organiza (e chamamos matéria não só as formas densas como esta se apresenta, mas também a matéria quintessenciada ou ao que conhecemos como antimatéria). Podemos observar e até deduzir leis que demonstram um processo organizado, ativo e permanente de combinações e recombinações de elementos químicos que originam os mais variados processos materiais. Em outras palavras: se tudo começou com uma explosão, por que a matéria se recombina de forma tão organizada? Para isso podemos lembrar a Lei das proporções Simples e Definidas que diz: Os elementos químicos se combinam em proporções simples e definidas. Ou seja, é como se para tudo houvesse uma receita, como uma receita de bolo. Todas as vezes que o elemento oxigênio se combina com dois elementos de Hidrogênio temos água. Não há confusão nisso. É simples.
Dessa forma todos os elementos foram organizados assim.
Quando falamos de organização podemos supor que um principio inteligente atua por traz desse processo. Só pode haver organização onde pode haver inteligência. Concordam? Ou então podemos voltar para o princípio da explosão. Podemos ter uma explosão onde os elementos aparecem organizados e arrumados de tal forma que parecem ter sido colocados em pequenos pacotes? Experimente explodir uma bombinha junina. Você pode separar seus pedacinhos e organizá-los durante a explosão? Impossível, não?
Penso ser esse o primeiro princípio que demonstra a organização da natureza, desde as galáxias até a tartaruguinha que viaja pelos oceanos mas que sempre volta ao seu local de nascimento, sem que se saiba por que.
Podemos ignorar tudo isso e dar ao acaso o mérito por tal organização. Mas isso me parece um certo tipo de cegueira narcísica, do tipo: se não é como eu quero que seja, eu prefiro desconhecer.
Assim da mesma forma que podemos reconhecer a autoria de um quadro pela técnica que o pintor utilizou podemos reconhecer a autoria da Criação pela “assinatura” do Criador. Deus assina sua criação com uma riqueza de detalhes que é impossível não reconhecê-la como obra perfeita e ao mesmo tempo evolutiva. Evolutiva sim porque ele continua a criar sempre. Deus trabalha permanentemente. Quando olhamos as galáxias, as nebulosas e seus cemitérios e berços de estrelas vemos a face do Supremo Artista. Numa forma mais simples vemos que ainda hoje biólogos descobrem diariamente novas espécies de animais ou plantas. Somente o homem sua maior criação ainda persiste em caminhar como retardatário desse processo. Mas Deus tem tempo. O tempo é o senhor de todas as coisas, mas Deus é o Senhor do Tempo.
Ainda nesse mesmo capítulo, o Livro dos Espíritos discorre sobre os atributos da divindade. Para mim basta um: a perfeição. Dela se originam todos os outros que ainda não podemos pensar.
As questões cinco e seis, falam-nos do sentimento que é comum a todos os homens até mesmo ao selvagem. Há no ser humano a intuição dessa presença. Desse “Algo”. Alguns até podem pensar que não possuem esse sentimento, que a existência de Deus não é parte das suas inquirições. Discordo. Tenho observado na clínica psicológica que as pessoas com mais dificuldade de lidar com esse aspecto, são pessoas com situações traumáticas ligadas à paternidade. Mas, não vamos “psicanalisar” as coisas. Chico Xavier dizia que não há ateus em um avião caindo.
Fiquemos então no aguardo da nossa própria evolução para entendermos um pouco mais dessa essência. Por enquanto, é fechar os olhos, meditar e deixar-se invadir por esse sentimento de paz e de amor paternal.
Paz e harmonia atodos!
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