sexta-feira, 28 de maio de 2010

MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO


MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO
Com a afirmação “meu reino não é deste mundo” feita a Pilatos em seu julgamento, Jesus nos demonstra claramente qual a sua missão e a nossa finalidade nesse planeta.
Mesmo torturado e vilipendiado, o Mestre não perdia a oportunidade para ensinar que a verdade era essencial para a vida futura e para a liberdade do espírito. Em apenas três versículos Jesus nos faz refletir sobre a sua missão, sobre a espiritualidade e principalmente sobre a essência da vida futura. Vejamos então:
“Pilatos, tendo entrado de novo no palácio e feito vir Jesus à sua presença, perguntou-lhe: És o rei dos judeus? - Respondeu-lhe Jesus: Meu reino não é deste
mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, a minha gente houvera combatido para
impedir que eu caísse nas mãos dos judeus; mas, o meu reino ainda não é aqui.
Disse-lhe então Pilatos: És, pois, rei? - Jesus lhe respondeu: Tu o dizes; sou rei;
não nasci e não vim a este mundo senão para dar testemunho da verdade. Aquele que pertence a verdade escuta a minha voz. (S. JOÃO, cap. XVIII, vv. 33, 36 e 37.)

Em nossos dias, vemos as mais diversas religiões reunirem em templos ou mesmo em ginásios de esportes, imenso grupo de pessoas que em seu desespero pedem bênçãos em suas carteiras de trabalho, em fotos, chaves e até mesmo em bolsas e carteiras. Nada a criticar. O desespero é mau conselheiro em qualquer assunto. No entanto nos surpreende a atitude de certos líderes religiosos, supostamente teólogos, que estimulam estas práticas e que fixam nessas pessoas a idéia materialista de progresso, estimulando assim a idéia de que Deus vai abençoar sua bolsa ( e imagine o que tem dentro de uma bolsa feminina!) seu dinheiro, possivelmente o batom, o pó compacto, o absorvente feminino quem sabe a cartela de anticoncepcionais e um pouco de perfume. Deus para todos os gostos!
Não seria isto um estímulo ao apego material? Completamente diferente do que ensinava Jesus. Se o seu reino não é deste mundo, por extensão o reino de Deus também não o seria. Então por que Deus abençoaria ou se preocuparia com a carteira ou o progresso material das pessoas? Se esse mundo é apenas uma passagem, qual a importância que teria a compra do carro novo, da casa ou do emprego?

Jesus nos deixa bem claro que nada aqui é importante. Que veio dar testemunho da verdade e que essa verdade era a vida espiritual e seus valores. Então por que não falar desses valores? Esqueceram de ler os evangelhos? Onde fica então a célebre frase “busca o reino dos céus e o resto te será acrescentado”? Onde estão as passagens do sermão da montanha onde Ele nos fala sobre os lírios do campo e as aves do céu?
Jesus é muito claro quando nos fala da necessidade de buscar a vida verdadeira e que esta em que estamos é um momento fugaz. Ele nos estimula pela sua palavra a sermos os trabalhadores da vida espiritual e nos deixa claro que “ o trabalhador é digno do seu salário”. Ou seja, trabalhe e viva pelo evangelho e nada te faltará, pois Deus cuida dos seus filhos com amor. Precisamos nos entregar ao Seu amor, confiar Nele e nada nos faltará.
Estamos vivendo um momento de muito materialismo, onde o culto ao corpo, ao dinheiro e ao sucesso material estimula as mentes doentias a buscarem obter com facilidade sem o esforço do trabalho digno os bens materiais.
Os chamados reality shows estimulam a idéia de que basta mostrar o corpo ou apelar para o vale-tudo que você será uma pessoa bem sucedida e milionária. Mas será que vale a pena? Será que a infelicidade é apenas um subproduto da pobreza? E por que os ricos buscam tanto os analistas? Por que se tomam cada vez mais antidepressivos? Por que tanto estresse e tanta violência, muitas vezes dentro da própria casa? Crianças abandonadas dentro da própria família, quando não violentadas e assassinadas no seio da família que devia lhe proteger. Parece que falta algo para preencher esse vazio. E falta. Faltam cada vez mais esperanças e por isso o vazio interior é ocupado pelo desespero e pela infelicidade que nada no mundo material pode aplacar.
Jesus nos falava da água da vida. Estamos cada vez mais sedentos dessa água que preencha os vazios da vida. Como a mulher de Samaria precisamos beber nas palavras do Mestre Jesus e aplacar nossa sede e nossa fome de verdade e justiça. E essa é a grande missão de Jesus: trazer a verdade que liberta. Busquemos então o reino dos céus, trabalhemos no amor a Deus e na busca da vida eterna... e o resto nos será acrescentado.Muita paz!

Estive ausente esses dias por conta de uma tendinite, mas estou de volta e continuaremos nossas postagens. Obrigada a vocês pelo carinho.

sábado, 15 de maio de 2010

SOBRE O AMOR E A AMIZADE



AMOR E RENÚNCIA


Irmão X - Humberto de Campos


O manto da noite caía de leve sobre a paisagem de Cafarnaum e Jesus, depois de uma das grandes assembléias populares do lago, se recolhia à casa de Pedro em companhia do apóstolo. Com a sua palavra divina havia tecido luminosos comentários em torno dos mandamentos de Moisés; Simão, no entanto, ia pensativo como se guardasse uma dúvida no coração.

Inquirido com bondade pelo Mestre, o apóstolo esclareceu:

— Senhor, em face dos vossos ensinamentos, como deveremos interpretar a vossa primeira manifestação, transformando a água em vinho, nas bodas de Caná? Não se tratava de uma festa mundana? O vinho não iria cooperar para o desenvolvimento da embriaguez e da gula?

Jesus compreendeu o alcance da interpelação e sorriu.

— Simão — disse ele —, conheces a alegria de servir a um amigo?

Pedro não respondeu, pelo que o Mestre continuou:

— As bodas de Caná foram um símbolo da nossa união na Terra. O vinho, ali, foi bem o da alegria com que desejo selar a existência do Reino de Deus nos corações. Estou com os meus amigos e amo-os a todos. Os afetos dalma, Simão, são laços misteriosos que nos conduzem a Deus. Saibamos santificar a nossa afeição, proporcionando aos nossos amigos o máximo da alegria; seja o nosso coração uma sala iluminada onde eles se sintam tranqüilos e ditosos. Tenhamos sempre júbilos novos que os reconfortem, nunca contaminemos a fonte de sua simpatia com a sombra dos pesares! As mais belas horas da vida são as que empregamos em amá-los, enriquecendo- lhes as satisfações íntimas.

Contudo, Simão Pedro, manifestando a estranheza que aquelas advertências lhe causavam, interpelou ainda o Mestre, com certa timidez:

— E como deveremos proceder quando os amigos não nos entendam, ou quando nos retribuam com ingratidão? Jesus pôs nele o olhar lúcido e respondeu:

— Pedro, o amor verdadeiro e sincero nunca espera recompensas. A renúncia é o seu ponto de apoio, como o ato de dar é a essência de sua vida. A capacidade de sentir grandes afeições já é em si mesma um tesouro. A compreensão de um amigo deve ser para nós a maior recompensa. Todavia, quando a luz do entendimento tardar no espírito daqueles a quem amamos, deveremos lembrar-nos de que temos a sagrada compreensão de Deus, que nos conhece os propósitos mais puros. Ainda que todos os nossos amigos do mundo se convertessem, um dia, em nossos adversários, ou mesmo em nossos algozes, jamais nos poderiam privar da alegria infinita de lhes haver dado alguma coisa!...

E com o olhar absorto na paisagem crepuscular, onde vibravam sutis harmonias, Jesus ponderou, profeticamente:

- O vinho de Caná poderá, um dia, transformar-se no vinagre da amargura; contudo, sentirei, mesmo assim, júbilo em absorvê-lo, por minha dedicação aos que vim buscar para o amor do Todo-Poderoso.

Simão Pedro, ante a argumentação consoladora e amiga do Mestre, dissipou as suas derradeiras dúvidas, enquanto a noite se apoderava do ambiente, ocultando o conjunto das coisas no seu leque imenso de sombras.



***

Muito tempo ainda não decorrera sobre essa conversação, quando o Mestre, em seus ensinos, deixou perceber que todos os homens, que não estivessem decididos a colocar o Reino de Deus acima de país, mães e irmãos terrestres, não podiam ser seus discípulos.

No dia desses novos ensinamentos, terminados os labores evangélicos, o mesmo apóstolo interpelou o Senhor, na penumbra de suas expressões indecisas:

– Mestre, como conciliar estas palavras tão duras com as vossas anteriores observações, relativamente aos laços sagrados entre os que se estimam?!

Sem deixar transparecer nenhuma surpresa Jesus esclareceu :

– Simão, a minha palavra não determina que o homem quebre os elos santos de sua vida; antes exalta os que tiverem a verdadeira fé para colocar o poder de Deus acima de todas as coisas e de todos os seres da criação infinita. Não constitui o amor dos pais uma lembrança da bondade permanente de Deus? Não representa o afeto dos filhos um suave perfume do coração?! Tenho dado aos meus discípulos o título de amigos, por ser o maior de todos.

“O Evangelho – continuou o Mestre, estando o apóstolo a ouvi-la, atentamente – não pode condenar os laços de família, mas coloca acima deles o laço indestrutível da paternidade de Deus. O reino do céu no coração deve ser o tema central de nossa vida.” Tudo mais é acessório. A família, no mundo, está igualmente subordinada aos imperativos dessa, edificação. Já pensaste, Pedro, no supremo sacrifício de renunciar? Todos os homens sabem conservar, são raros os que sabem privar-se. Na construção do reino de Deus, chega um instante de separação, que é necessário se saiba suportar com sincero,desprendimento. E essa separação não é apenas a que se verifica pela morte do corpo, muitas vezes proveitosa e providencial, mas também a das posições estimáveis no mundo, a da família terrestre, a do viver nas paisagens queridas, ou, então, a de uma alma bem-amada que preferiu ficar a distância, entre as flores venenosas de um dia!...

“Ah! Simão, quão poucos sabem partir, por algum tempo, do lar tranqüilo, ou dos braços adorados de uma afeição, por amor ao reino que é o tabernáculo da vida eterna!! Quão poucos saberão suportar a calunia, o apôdo, a indiferença, por desejarem permanecer dentro de suas criações individuais, cerrando ouvidos à advertência do céu para que se afastem tranquilamente!... Como são raros os que sabem ceder e partir em silêncio, por amor ao reino, esperando o instante em que Deus se pronuncia! Entretanto, Pedro, ninguém se edificará, sem conhecer cada virtude de saber renunciar com alegria, em obediência à vontade de Deus, no momento oportuno, compreendendo a sublimidade de seus desígnios. Por essa razão, os discípulos necessitam aprender a partir e a esperar onde as determinações de Deus os conduzam, porque a edificação do reino do céu no coração dos homens deve constituir a preocupação primeira, a aspiração mais nobre da alma, as esperanças centrais do espírito!...”

Ainda não havia anoitecido. Jesus, porém, deu por concluídas as suas explicações, enquanto as mãos calosas do apóstolo passavam, de leve, sobre os seus olhos úmidos.



***

Dando o testemunho real de seus ensinamentos, o Cristo soube ser, em todas as circunstâncias, o amigo fiel e dedicado. Nas elucidações de João, vemo-lo a exclamar : – “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor ; tenho-vos chamado amigos, porque vos revelei tudo quanto ouvi de meu Pai!” E, na narrativa de Lucas, ouvimo-lo dizer, antes da hora extrema : – “Tenho desejado anuías ente comer convosco esta Páscoa, antes da minha paixão”.

Ninguém no mundo já conseguiu elevar à altura em que o Senhor as colocou a beleza e a amplitude doe elos afetivos, mesmo porque a sua obra inteira é a de reunir, pelo amor, todas as nações e todos os homens, no círculo divino da família universal. Mas, também, por demonstrar que o reino de Deus deve constituir a preocupação primeira das almas, ninguém. como ele soube retirar-se das posições, no instante oportuno em que obedecia aos desígnios divinos. Depois da magnífica vitória da entrada em Jerusalém, é traído por um dos discípulos amados; negam-no os seus seguidores e companheiros ; suas idéias são tidas como perversoras e revolucionárias; é acusado como bandido e feiticeiro ; sua morte passa por ser a de um ladrão.

Jesus, entretanto, ensina às criaturas, nessa hora suprema, a excelsa virtude de retirar-se com a solidão dos homens, mas com a proteção de Deus. Ele, que transformara toda a Galiléia numa fonte divina ; que se levantara com desassombro contra as hipocrisias do farisaísmo do tempo ; que desapoiara os cambistas, no próprio templo de Jerusalém, como advogado enérgico e superior de todas as grandes causas da verdade e do bem, passa, no dia do Calvário, em espetáculo para o povo, com a alma num maravilhoso e profundo silêncio. Sem proferir a mais leve acusação, caminha humilde, coroado de espinhos, sustendo nas mãos uma cana imunda à guisa de cetro, vestindo a túnica da ironia, sob as cusparadas dos populares exaltados, de faces sangrentas e passas vacilantes, sob o peso da cruz, vilipendiado, sem articular uma queixa.

No momento do Calvário, Jesus atravessa as ruas de Jerusalém, como se estivesse diante da humanidade inteira, ensinando a virtude da renuncia por amor do reino de Deus, revelando ser essa a sua derradeira lição.



Do livro “Boa Nova”. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

sábado, 1 de maio de 2010

DEUS EXISTE?



DEUS EXISTE?

A questão de numero quatro do Livro dos Espíritos fala sobre a existência de Deus. Vamos transcrevê-la:
4. Onde se pode encontrar a prova da existência de Deus?
“Num axioma que aplicais às vossas ciências. Não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem e a vossa razão responderá.”
Para crer-se em Deus, basta se lance o olhar sobre as obras da Criação. O universo existe, logo tem uma causa. Duvidar da existência de Deus é negar que todo efeito tem uma causa e avançar que o nada pôde fazer alguma coisa.

Ora, podemos pensar o universo como uma máquina não criada? Os físicos e astrofísicos falam sobre a grande explosão que teria dado origem ao nosso universo; no entanto é preciso pensar que para que haja uma explosão é preciso que haja uma pressão interna sobre um tipo de matéria ou gases. Para que essa matéria ou gases existissem e estivessem lá no ponto de origem da grande explosão ou teriam sido postos lá ou criados. Mas, quem os criou?
Outro ponto a se perguntar é sobre a forma como a matéria se organiza (e chamamos matéria não só as formas densas como esta se apresenta, mas também a matéria quintessenciada ou ao que conhecemos como antimatéria). Podemos observar e até deduzir leis que demonstram um processo organizado, ativo e permanente de combinações e recombinações de elementos químicos que originam os mais variados processos materiais. Em outras palavras: se tudo começou com uma explosão, por que a matéria se recombina de forma tão organizada? Para isso podemos lembrar a Lei das proporções Simples e Definidas que diz: Os elementos químicos se combinam em proporções simples e definidas. Ou seja, é como se para tudo houvesse uma receita, como uma receita de bolo. Todas as vezes que o elemento oxigênio se combina com dois elementos de Hidrogênio temos água. Não há confusão nisso. É simples.
Dessa forma todos os elementos foram organizados assim.
Quando falamos de organização podemos supor que um principio inteligente atua por traz desse processo. Só pode haver organização onde pode haver inteligência. Concordam? Ou então podemos voltar para o princípio da explosão. Podemos ter uma explosão onde os elementos aparecem organizados e arrumados de tal forma que parecem ter sido colocados em pequenos pacotes? Experimente explodir uma bombinha junina. Você pode separar seus pedacinhos e organizá-los durante a explosão? Impossível, não?
Penso ser esse o primeiro princípio que demonstra a organização da natureza, desde as galáxias até a tartaruguinha que viaja pelos oceanos mas que sempre volta ao seu local de nascimento, sem que se saiba por que.
Podemos ignorar tudo isso e dar ao acaso o mérito por tal organização. Mas isso me parece um certo tipo de cegueira narcísica, do tipo: se não é como eu quero que seja, eu prefiro desconhecer.
Assim da mesma forma que podemos reconhecer a autoria de um quadro pela técnica que o pintor utilizou podemos reconhecer a autoria da Criação pela “assinatura” do Criador. Deus assina sua criação com uma riqueza de detalhes que é impossível não reconhecê-la como obra perfeita e ao mesmo tempo evolutiva. Evolutiva sim porque ele continua a criar sempre. Deus trabalha permanentemente. Quando olhamos as galáxias, as nebulosas e seus cemitérios e berços de estrelas vemos a face do Supremo Artista. Numa forma mais simples vemos que ainda hoje biólogos descobrem diariamente novas espécies de animais ou plantas. Somente o homem sua maior criação ainda persiste em caminhar como retardatário desse processo. Mas Deus tem tempo. O tempo é o senhor de todas as coisas, mas Deus é o Senhor do Tempo.
Ainda nesse mesmo capítulo, o Livro dos Espíritos discorre sobre os atributos da divindade. Para mim basta um: a perfeição. Dela se originam todos os outros que ainda não podemos pensar.
As questões cinco e seis, falam-nos do sentimento que é comum a todos os homens até mesmo ao selvagem. Há no ser humano a intuição dessa presença. Desse “Algo”. Alguns até podem pensar que não possuem esse sentimento, que a existência de Deus não é parte das suas inquirições. Discordo. Tenho observado na clínica psicológica que as pessoas com mais dificuldade de lidar com esse aspecto, são pessoas com situações traumáticas ligadas à paternidade. Mas, não vamos “psicanalisar” as coisas. Chico Xavier dizia que não há ateus em um avião caindo.
Fiquemos então no aguardo da nossa própria evolução para entendermos um pouco mais dessa essência. Por enquanto, é fechar os olhos, meditar e deixar-se invadir por esse sentimento de paz e de amor paternal.
Paz e harmonia atodos!

domingo, 25 de abril de 2010

O QUE É OBSESSÃO?





Para responder a essa pergunta vamos nos reportar ao Livro dos Médiuns, que poderíamos classificar como a metodologia da ciência do mundo espiritual, no item 237:
Entre os escolhos que apresenta a prática do Espiritismo, cumpre se coloque na primeira linha a obsessão, isto é, o domínio que alguns Espíritos logram adquirir sobre certas pessoas. Nunca é praticada senão pelos Espíritos inferiores, que procuram dominar. Os bons Espíritos nenhum constrangimento infligem. Aconselham, combatem a influência dos maus e, se não os ouvem, retiram-se. Os maus, ao contrário,se agarram àqueles de quem podem fazer suas presas. Se chegam a dominar algum, identificam-se com o Espírito deste e o conduzem como se fora verdadeira criança.
Em que pese o aspecto “maravilhoso” e chamativo que algumas pessoas observam e até desejam na prática mediúnica, a obsessão é a grande ferida que se abre na alma humana (independente ou não de sermos médiuns ostensivos) e que nos conduz ao aspecto doloroso do trabalho espírita.
Como médiuns aprendemos a lidar com a dor, a vingança e a perseguição tenaz (de uma vez que o verbo obsidiar vem do latim e significa perseguir tenazmente, sem trégua) por parte de um desencarnado contra o encarnado. Como vítimas da obsessão também sofremos essa perseguição.
A obsessão pode ocorrer de desencarnado para encarnado, de encarnado para desencarnado, de encarnado para encarnado.
Pelas nossas dificuldades e erros podemos atrair companhias espirituais que são atraídas por nós como moscas pela sujeira. Essa é a obsessão de desencarnado para encarnado.
Quando a morte leva alguém a quem amamos, precisamos nos equilibrar para que os nossos lamentos (não é a saudade, esta sempre irá nos acompanhar) não atraiam o nosso ente querido que certamente sofrerá ao ver nosso estado. Devemos orar por nossos amados e aguardar com fé e equilíbrio o momento do reencontro. Quando isso não acontece, temos a obsessão do desencarnado pelo encarnado. Preces e ajuste são o que precisamos para não causar sofrimento ao que se foi.
O pensamento obsessivo, seja por uma paixão desequilibrada ou por ódio a um encarnado, pode criar um tipo de obsessão que chamamos de encarnado para encarnado.
Quanto a intensidade, a obsessão pode ser: obsessão simples, fascinação e subjugação (erroneamente chamada de possessão).
Na obsessão simples o espírito insiste em comunicar-se, pode tomar o nome de outro e apresentar-se como tal, ou ainda insistir em produzir manifestações de efeitos físicos tais como ruídos, pancadas ou mesmo fogo. Nesse caso, o médium tem consciência da situação e pode defender-se como se fosse apenas mais um aborrecimento causado pelo espírito obsessor.
Na fascinação, o espírito apresenta-se sob nomes louváveis e faz com que o médium (geralmente muito orgulhoso) acredite que é muito importante ou que tem uma missão que somente ele é digno de desempenhar. O senso crítico fica comprometido e podemos observar mensagens pueris assinadas por espíritos honoráveis, quando não pelo próprio Jesus, pois não há escrúpulos de parte do obsessor. Enganar é o seu ofício. Mudança de comportamento geralmente acompanha esse problema.
O mais alto grau de obsessão chama-se subjugação e geralmente de corre da fascinação que não foi tratada devidamente. Como o próprio nome diz, o espírito mantém um domínio quase absoluto da sua vítima, levando-a a comportamentos bizarros e a dar comunicação em qualquer lugar. Na Idade Média acreditava-se que era o próprio Diabo que se apossava do corpo da vítima e o comandava como a uma marionete. Hoje, sabemos que não é possível a nenhum espírito entrar no corpo de um encarnado. Ele liga-se á sua mente como se fora uma tomada elétrica e domina os núcleos cerebrais responsáveis por todas as ações da sua vítima. Muitas vezes o processo é tão violento que aparece como um estado de loucura permanente. Claro que nem toda loucura é obsessão, mas em sua maioria há sempre uma influência de desencarnados.
Observar seu comportamento, vigiar seus atos, desconfiar de atitudes impensadas ou agressivas, irritabilidade acentuada sem motivo, uso de palavrões sem escrúpulos podem ser pontos indicadores dessa “doença” da mediunidade.
O tratamento consiste em orar e vigiar, como nos apontou Jesus. Deve-se procurar um grupo espírita bem organizado, iniciar os tratamentos que forem designados , geralmente Evangelho no Lar, Passes e água fluidificada ; bem como procurar perceber que tipo de comportamento pode estar atraindo o irmão obsessor. O mais importante: Ore por esse inimigo que te busca. Orar pelos inimigos é a maior prova de caridade. Como diz Kardec: Fora da Caridade não há salvação.
Uma semana de paz, harmonia e amor.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

PROIBIÇÃO BÍBLICA DE SE CONSULTAR OS MORTOS



DA PROIBIÇÃO BÍBLICA DE SE CONSULTAR OS MORTOS

Muitas religiões fundamentadas na Bíblia proíbem o relacionamento ou a consulta aos chamados “mortos”. Como conseqüência não conseguem entender a Doutrina dos Espíritos principalmente no que concerne a mediunidade e a capacidade de ver e ouvir os que já se foram.
Na obra O Céu e o Inferno – A justiça divina segundo o Espiritismo; no capítulo XI que tem por título Da Proibição de Evocar os Mortos; Kardec e os Espíritos falam sobre o Levítico e o Deuteronômio (livros do Velho Testamento) , de uma vez que não existe nada a esse respeito nos Evangelhos. Vejamos as citações:
"Não é permitido entreter relações com eles (os Espíritos), seja imediatamente,seja por intermédio dos que os evocam e interrogam. A lei mosaica punia os gentios.
Não procureis os mágicos, diz o Levítico, nem procureis saber coisa alguma dos adivinhos, de maneira a vos contaminardes por meio deles. (Cap. XIX, v. 31.) Morra de morte o homem ou a mulher em quem houver Espírito pitônico; sejam apedrejados e sobre eles recaia seu sangue. (Cap. XX, v. 27.)”

E prossegue no Deuteronômio:
O Deuteronômio diz: Nunca exista entre vós quem consulte adivinhos, quem observe sonhos e agouros, quem use de malefícios, sortilégios, encantamentos, ou consultem os que têm o Espírito pitônico e se dão a práticas de adivinhação interrogando os mortos. O Senhor abomina todas essas coisas e destruirá, à vossa entrada, as nações que omitem tais crimes." (Cap.XVIII, vv. 10, 11 e 12.)

Se lembrarmos do episódio narrado na Bíblia no Livro do Êxodo onde ao descer do monte Sinai, Moisés encontra o povo judeu realizando o culto ao bezerro de ouro dentre outras práticas. Moisés fica tão revoltado que quebra as tábuas da Lei. É a partir desse episódio que o legislador percebe a necessidade de fechar o cerco às práticas estranhas ao judaísmo e que por um processo de assimilação cultural estavam sendo usadas pelo seu povo. O próprio Aarão, irmão de Moisés havia construído o ídolo dourado. O povo judeu vivera no Egito como escravo, por sua vez os escravos egípcios vinham da mais diversas regiões onde havia inclusive a prática de sacrifícios humanos, principalmente do infanticídio.

Havia também práticas ligadas a adivinhações, necromancia (o uso de cadáveres humanos, animais, ou partes destes) como forma de adivinhação e mais ainda, todos esses costumes ou práticas eram muitas vezes pagos a peso de ouro. As adivinhas eram então chamadas de pitonisas . É sobre essas práticas que legislam os livros citados.

Mas o que tem isto a ver com a Doutrina Espírita? Nada, a não serem semelhanças no que concerne aos usos e abusos da mediunidade. Ou seja, tanto a Bíblia como a Doutrina dos Espíritos proíbem a venda dos dons mediúnicos. Não é permitido usar a mediunidade como fonte de renda. O Espiritismo não permite que se consultem os Espíritos para adivinhações, para descobrir fatos sem importância para o progresso da humanidade, para obter vantagens sobre o próximo e especialmente sem respeito pelo espírito comunicante e que não seja para ajudá-lo a progredir.O Espiritismo também não aceita que se consultem cartomantes ou leitores de sorte. O intercâmbio com o mundo espiritual deve ser respeitoso e sem fins lucrativos. Como dizia Chico Xavier: “ O telefone só toca de lá para cá”. É outra recomendação.
Mas por que proibir o contato com os mortos se estes não podiam responder? Não é absurdo que haja uma proibição sobre algo que não pode acontecer?
Existem ainda passagens no Velho testamento, onde o próprio Moisés diz que gostaria de ter pelo menos dez jovens que pudessem aconselhá-lo usando o contato com o mundo invisível. Isto sem falar nos livros proféticos como Isaías, Neemias, Habacuque entre outros. Ele também pede ajuda a Deus que lhe responde:
O Senhor disse a Moisés: “Reúne-me setenta homens dentre os anciãos de Israel que tu conheces como anciãos e magistrados do povo, e traze-os à tenda de reunião, onde devem esperar contigo. 17 Descerei ali para falar contigo. Retirarei um pouco do espírito que há em ti e incutirei neles, para que te ajudem a carregar o fardo do povo e já não o suportes sozinho. Num.11-16.17

Mais adiante, em Números 12.6 é demonstrada a necessidade da comunicação mediúnica:
Escutai as minhas palavras:
Se houver entre vós um profeta
eu me revelarei em visões e lhe falarei em sonhos.


Sabemos que no Novo Testamento inúmeros fenômenos mediúnicos. A própria história do Cristianismo começa com um fenômeno mediúnico: A Anunciação (Lucas: 1: 26 a 38)
É muito importante que nós espíritas nos habituemos a consultar os livros da Codificação. Infelizmente, até mesmo em algumas casas espíritas as pessoas se limitam ao estudo do Livro dos Espíritos e do Evangelho Segundo o Espiritismo. Até mesmo o Livro dos Médiuns é pouco conhecido, em que pese haver grupos mediúnicos funcionando.
Espírita que não conhece a Codificação é absurdo. Médium que não conhece as regras do intercâmbio entre o mundo espiritual e o nosso; regras essas exaustivamente estabelecidas e analisadas no livro dos médiuns, é suicida.
Estude, aprenda. Se tiver dificuldades para ler ou para aprender, busque pessoas ou grupos na sua Casa Espírita que possam explicar e ajudá-lo. Muita paz em nome de Jesus!

sábado, 17 de abril de 2010

DEUS TE FAÇA FELIZ




Deus Te Faça Feliz




Agradeço, alma irmã, todo o concurso

Com que me reconforta e garantes,

Fazendo-me canal mesmo singelo

De assistência e de alívio aos semelhantes!. . .


O prato generoso que me deste

Não foi somente auxílio à penúria pungente,

Fez-se clarão iluminando anseios,

Felicidade para muita gente.


A roupa usada com que me brindaste,

Além da utilidade em que se aprova,

Transfigurou-se em benção de esperança

A busca de serviço e vida nova.


E leve cobertor que me entregaste

E parecia aos olhos simples pano,

Converteu-se em presença da fé viva

Entretecida de calor humano!. . .


Recursos vários que me ofereceste,

Muito mais que socorro à pessoa insegura,

Transformaram-se em festa de alegria

E retorno ao regaço da ventura.


Por tudo que me dás em bondade e trabalho,

Repito-te no amor que a palavra não diz:

“pelo Dom de servir nos bens com que me amparas,

Deus te guarde, alma irmã!. . . Deus te faça feliz!. . .”



Livro Encontro de Paz - Maria Dolores - Psicografia Chico Xavier
Amigos: Ainda estou com tendinite e por isso é mais fácil publicar poesias. Paz a todos. Marise

quarta-feira, 14 de abril de 2010




DE ALMA PARA ALMA



Escuta, alma querida!

Ante as perturbações e os empeços da vida,

Onde não possas ajudar

A dissipar a treva e extinguir o pesar,

Nada fales, em vão!...

Uma palavra, às vezes, tão-somente,

Na moldura de um gesto irreverente,

Basta para espancar o coração.



Se anotas sombra e dor, por onde jornadeias

Dá consolo e respeito às aflições alheias...

Tempo vai, tempo vem...

E assim como o carvão se faz diamante puro,

Na forja do destino, em louvor do futuro,

Todo o mal se converte em coluna do bem.



Usa o verbo, esparzindo novas luzes,

Não condenes, não firas, não acuses!...

Onde enxergares pedra, lodo, espinho,

Cobre de paz e amor as lutas do caminho.



Lembremos nossos erros, teus e meus!...

Todos sofremos provas, alma boa,

Trabalha, serve, ajuda, ama e abençoa

E encontrarás contigo a presença de Deus.



Do livro Antologia da Espiritualidade. Psicografia de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Maria Dolores
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