sexta-feira, 28 de maio de 2010

MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO


MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO
Com a afirmação “meu reino não é deste mundo” feita a Pilatos em seu julgamento, Jesus nos demonstra claramente qual a sua missão e a nossa finalidade nesse planeta.
Mesmo torturado e vilipendiado, o Mestre não perdia a oportunidade para ensinar que a verdade era essencial para a vida futura e para a liberdade do espírito. Em apenas três versículos Jesus nos faz refletir sobre a sua missão, sobre a espiritualidade e principalmente sobre a essência da vida futura. Vejamos então:
“Pilatos, tendo entrado de novo no palácio e feito vir Jesus à sua presença, perguntou-lhe: És o rei dos judeus? - Respondeu-lhe Jesus: Meu reino não é deste
mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, a minha gente houvera combatido para
impedir que eu caísse nas mãos dos judeus; mas, o meu reino ainda não é aqui.
Disse-lhe então Pilatos: És, pois, rei? - Jesus lhe respondeu: Tu o dizes; sou rei;
não nasci e não vim a este mundo senão para dar testemunho da verdade. Aquele que pertence a verdade escuta a minha voz. (S. JOÃO, cap. XVIII, vv. 33, 36 e 37.)

Em nossos dias, vemos as mais diversas religiões reunirem em templos ou mesmo em ginásios de esportes, imenso grupo de pessoas que em seu desespero pedem bênçãos em suas carteiras de trabalho, em fotos, chaves e até mesmo em bolsas e carteiras. Nada a criticar. O desespero é mau conselheiro em qualquer assunto. No entanto nos surpreende a atitude de certos líderes religiosos, supostamente teólogos, que estimulam estas práticas e que fixam nessas pessoas a idéia materialista de progresso, estimulando assim a idéia de que Deus vai abençoar sua bolsa ( e imagine o que tem dentro de uma bolsa feminina!) seu dinheiro, possivelmente o batom, o pó compacto, o absorvente feminino quem sabe a cartela de anticoncepcionais e um pouco de perfume. Deus para todos os gostos!
Não seria isto um estímulo ao apego material? Completamente diferente do que ensinava Jesus. Se o seu reino não é deste mundo, por extensão o reino de Deus também não o seria. Então por que Deus abençoaria ou se preocuparia com a carteira ou o progresso material das pessoas? Se esse mundo é apenas uma passagem, qual a importância que teria a compra do carro novo, da casa ou do emprego?

Jesus nos deixa bem claro que nada aqui é importante. Que veio dar testemunho da verdade e que essa verdade era a vida espiritual e seus valores. Então por que não falar desses valores? Esqueceram de ler os evangelhos? Onde fica então a célebre frase “busca o reino dos céus e o resto te será acrescentado”? Onde estão as passagens do sermão da montanha onde Ele nos fala sobre os lírios do campo e as aves do céu?
Jesus é muito claro quando nos fala da necessidade de buscar a vida verdadeira e que esta em que estamos é um momento fugaz. Ele nos estimula pela sua palavra a sermos os trabalhadores da vida espiritual e nos deixa claro que “ o trabalhador é digno do seu salário”. Ou seja, trabalhe e viva pelo evangelho e nada te faltará, pois Deus cuida dos seus filhos com amor. Precisamos nos entregar ao Seu amor, confiar Nele e nada nos faltará.
Estamos vivendo um momento de muito materialismo, onde o culto ao corpo, ao dinheiro e ao sucesso material estimula as mentes doentias a buscarem obter com facilidade sem o esforço do trabalho digno os bens materiais.
Os chamados reality shows estimulam a idéia de que basta mostrar o corpo ou apelar para o vale-tudo que você será uma pessoa bem sucedida e milionária. Mas será que vale a pena? Será que a infelicidade é apenas um subproduto da pobreza? E por que os ricos buscam tanto os analistas? Por que se tomam cada vez mais antidepressivos? Por que tanto estresse e tanta violência, muitas vezes dentro da própria casa? Crianças abandonadas dentro da própria família, quando não violentadas e assassinadas no seio da família que devia lhe proteger. Parece que falta algo para preencher esse vazio. E falta. Faltam cada vez mais esperanças e por isso o vazio interior é ocupado pelo desespero e pela infelicidade que nada no mundo material pode aplacar.
Jesus nos falava da água da vida. Estamos cada vez mais sedentos dessa água que preencha os vazios da vida. Como a mulher de Samaria precisamos beber nas palavras do Mestre Jesus e aplacar nossa sede e nossa fome de verdade e justiça. E essa é a grande missão de Jesus: trazer a verdade que liberta. Busquemos então o reino dos céus, trabalhemos no amor a Deus e na busca da vida eterna... e o resto nos será acrescentado.Muita paz!

Estive ausente esses dias por conta de uma tendinite, mas estou de volta e continuaremos nossas postagens. Obrigada a vocês pelo carinho.

sábado, 15 de maio de 2010

SOBRE O AMOR E A AMIZADE



AMOR E RENÚNCIA


Irmão X - Humberto de Campos


O manto da noite caía de leve sobre a paisagem de Cafarnaum e Jesus, depois de uma das grandes assembléias populares do lago, se recolhia à casa de Pedro em companhia do apóstolo. Com a sua palavra divina havia tecido luminosos comentários em torno dos mandamentos de Moisés; Simão, no entanto, ia pensativo como se guardasse uma dúvida no coração.

Inquirido com bondade pelo Mestre, o apóstolo esclareceu:

— Senhor, em face dos vossos ensinamentos, como deveremos interpretar a vossa primeira manifestação, transformando a água em vinho, nas bodas de Caná? Não se tratava de uma festa mundana? O vinho não iria cooperar para o desenvolvimento da embriaguez e da gula?

Jesus compreendeu o alcance da interpelação e sorriu.

— Simão — disse ele —, conheces a alegria de servir a um amigo?

Pedro não respondeu, pelo que o Mestre continuou:

— As bodas de Caná foram um símbolo da nossa união na Terra. O vinho, ali, foi bem o da alegria com que desejo selar a existência do Reino de Deus nos corações. Estou com os meus amigos e amo-os a todos. Os afetos dalma, Simão, são laços misteriosos que nos conduzem a Deus. Saibamos santificar a nossa afeição, proporcionando aos nossos amigos o máximo da alegria; seja o nosso coração uma sala iluminada onde eles se sintam tranqüilos e ditosos. Tenhamos sempre júbilos novos que os reconfortem, nunca contaminemos a fonte de sua simpatia com a sombra dos pesares! As mais belas horas da vida são as que empregamos em amá-los, enriquecendo- lhes as satisfações íntimas.

Contudo, Simão Pedro, manifestando a estranheza que aquelas advertências lhe causavam, interpelou ainda o Mestre, com certa timidez:

— E como deveremos proceder quando os amigos não nos entendam, ou quando nos retribuam com ingratidão? Jesus pôs nele o olhar lúcido e respondeu:

— Pedro, o amor verdadeiro e sincero nunca espera recompensas. A renúncia é o seu ponto de apoio, como o ato de dar é a essência de sua vida. A capacidade de sentir grandes afeições já é em si mesma um tesouro. A compreensão de um amigo deve ser para nós a maior recompensa. Todavia, quando a luz do entendimento tardar no espírito daqueles a quem amamos, deveremos lembrar-nos de que temos a sagrada compreensão de Deus, que nos conhece os propósitos mais puros. Ainda que todos os nossos amigos do mundo se convertessem, um dia, em nossos adversários, ou mesmo em nossos algozes, jamais nos poderiam privar da alegria infinita de lhes haver dado alguma coisa!...

E com o olhar absorto na paisagem crepuscular, onde vibravam sutis harmonias, Jesus ponderou, profeticamente:

- O vinho de Caná poderá, um dia, transformar-se no vinagre da amargura; contudo, sentirei, mesmo assim, júbilo em absorvê-lo, por minha dedicação aos que vim buscar para o amor do Todo-Poderoso.

Simão Pedro, ante a argumentação consoladora e amiga do Mestre, dissipou as suas derradeiras dúvidas, enquanto a noite se apoderava do ambiente, ocultando o conjunto das coisas no seu leque imenso de sombras.



***

Muito tempo ainda não decorrera sobre essa conversação, quando o Mestre, em seus ensinos, deixou perceber que todos os homens, que não estivessem decididos a colocar o Reino de Deus acima de país, mães e irmãos terrestres, não podiam ser seus discípulos.

No dia desses novos ensinamentos, terminados os labores evangélicos, o mesmo apóstolo interpelou o Senhor, na penumbra de suas expressões indecisas:

– Mestre, como conciliar estas palavras tão duras com as vossas anteriores observações, relativamente aos laços sagrados entre os que se estimam?!

Sem deixar transparecer nenhuma surpresa Jesus esclareceu :

– Simão, a minha palavra não determina que o homem quebre os elos santos de sua vida; antes exalta os que tiverem a verdadeira fé para colocar o poder de Deus acima de todas as coisas e de todos os seres da criação infinita. Não constitui o amor dos pais uma lembrança da bondade permanente de Deus? Não representa o afeto dos filhos um suave perfume do coração?! Tenho dado aos meus discípulos o título de amigos, por ser o maior de todos.

“O Evangelho – continuou o Mestre, estando o apóstolo a ouvi-la, atentamente – não pode condenar os laços de família, mas coloca acima deles o laço indestrutível da paternidade de Deus. O reino do céu no coração deve ser o tema central de nossa vida.” Tudo mais é acessório. A família, no mundo, está igualmente subordinada aos imperativos dessa, edificação. Já pensaste, Pedro, no supremo sacrifício de renunciar? Todos os homens sabem conservar, são raros os que sabem privar-se. Na construção do reino de Deus, chega um instante de separação, que é necessário se saiba suportar com sincero,desprendimento. E essa separação não é apenas a que se verifica pela morte do corpo, muitas vezes proveitosa e providencial, mas também a das posições estimáveis no mundo, a da família terrestre, a do viver nas paisagens queridas, ou, então, a de uma alma bem-amada que preferiu ficar a distância, entre as flores venenosas de um dia!...

“Ah! Simão, quão poucos sabem partir, por algum tempo, do lar tranqüilo, ou dos braços adorados de uma afeição, por amor ao reino que é o tabernáculo da vida eterna!! Quão poucos saberão suportar a calunia, o apôdo, a indiferença, por desejarem permanecer dentro de suas criações individuais, cerrando ouvidos à advertência do céu para que se afastem tranquilamente!... Como são raros os que sabem ceder e partir em silêncio, por amor ao reino, esperando o instante em que Deus se pronuncia! Entretanto, Pedro, ninguém se edificará, sem conhecer cada virtude de saber renunciar com alegria, em obediência à vontade de Deus, no momento oportuno, compreendendo a sublimidade de seus desígnios. Por essa razão, os discípulos necessitam aprender a partir e a esperar onde as determinações de Deus os conduzam, porque a edificação do reino do céu no coração dos homens deve constituir a preocupação primeira, a aspiração mais nobre da alma, as esperanças centrais do espírito!...”

Ainda não havia anoitecido. Jesus, porém, deu por concluídas as suas explicações, enquanto as mãos calosas do apóstolo passavam, de leve, sobre os seus olhos úmidos.



***

Dando o testemunho real de seus ensinamentos, o Cristo soube ser, em todas as circunstâncias, o amigo fiel e dedicado. Nas elucidações de João, vemo-lo a exclamar : – “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor ; tenho-vos chamado amigos, porque vos revelei tudo quanto ouvi de meu Pai!” E, na narrativa de Lucas, ouvimo-lo dizer, antes da hora extrema : – “Tenho desejado anuías ente comer convosco esta Páscoa, antes da minha paixão”.

Ninguém no mundo já conseguiu elevar à altura em que o Senhor as colocou a beleza e a amplitude doe elos afetivos, mesmo porque a sua obra inteira é a de reunir, pelo amor, todas as nações e todos os homens, no círculo divino da família universal. Mas, também, por demonstrar que o reino de Deus deve constituir a preocupação primeira das almas, ninguém. como ele soube retirar-se das posições, no instante oportuno em que obedecia aos desígnios divinos. Depois da magnífica vitória da entrada em Jerusalém, é traído por um dos discípulos amados; negam-no os seus seguidores e companheiros ; suas idéias são tidas como perversoras e revolucionárias; é acusado como bandido e feiticeiro ; sua morte passa por ser a de um ladrão.

Jesus, entretanto, ensina às criaturas, nessa hora suprema, a excelsa virtude de retirar-se com a solidão dos homens, mas com a proteção de Deus. Ele, que transformara toda a Galiléia numa fonte divina ; que se levantara com desassombro contra as hipocrisias do farisaísmo do tempo ; que desapoiara os cambistas, no próprio templo de Jerusalém, como advogado enérgico e superior de todas as grandes causas da verdade e do bem, passa, no dia do Calvário, em espetáculo para o povo, com a alma num maravilhoso e profundo silêncio. Sem proferir a mais leve acusação, caminha humilde, coroado de espinhos, sustendo nas mãos uma cana imunda à guisa de cetro, vestindo a túnica da ironia, sob as cusparadas dos populares exaltados, de faces sangrentas e passas vacilantes, sob o peso da cruz, vilipendiado, sem articular uma queixa.

No momento do Calvário, Jesus atravessa as ruas de Jerusalém, como se estivesse diante da humanidade inteira, ensinando a virtude da renuncia por amor do reino de Deus, revelando ser essa a sua derradeira lição.



Do livro “Boa Nova”. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

sábado, 1 de maio de 2010

DEUS EXISTE?



DEUS EXISTE?

A questão de numero quatro do Livro dos Espíritos fala sobre a existência de Deus. Vamos transcrevê-la:
4. Onde se pode encontrar a prova da existência de Deus?
“Num axioma que aplicais às vossas ciências. Não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem e a vossa razão responderá.”
Para crer-se em Deus, basta se lance o olhar sobre as obras da Criação. O universo existe, logo tem uma causa. Duvidar da existência de Deus é negar que todo efeito tem uma causa e avançar que o nada pôde fazer alguma coisa.

Ora, podemos pensar o universo como uma máquina não criada? Os físicos e astrofísicos falam sobre a grande explosão que teria dado origem ao nosso universo; no entanto é preciso pensar que para que haja uma explosão é preciso que haja uma pressão interna sobre um tipo de matéria ou gases. Para que essa matéria ou gases existissem e estivessem lá no ponto de origem da grande explosão ou teriam sido postos lá ou criados. Mas, quem os criou?
Outro ponto a se perguntar é sobre a forma como a matéria se organiza (e chamamos matéria não só as formas densas como esta se apresenta, mas também a matéria quintessenciada ou ao que conhecemos como antimatéria). Podemos observar e até deduzir leis que demonstram um processo organizado, ativo e permanente de combinações e recombinações de elementos químicos que originam os mais variados processos materiais. Em outras palavras: se tudo começou com uma explosão, por que a matéria se recombina de forma tão organizada? Para isso podemos lembrar a Lei das proporções Simples e Definidas que diz: Os elementos químicos se combinam em proporções simples e definidas. Ou seja, é como se para tudo houvesse uma receita, como uma receita de bolo. Todas as vezes que o elemento oxigênio se combina com dois elementos de Hidrogênio temos água. Não há confusão nisso. É simples.
Dessa forma todos os elementos foram organizados assim.
Quando falamos de organização podemos supor que um principio inteligente atua por traz desse processo. Só pode haver organização onde pode haver inteligência. Concordam? Ou então podemos voltar para o princípio da explosão. Podemos ter uma explosão onde os elementos aparecem organizados e arrumados de tal forma que parecem ter sido colocados em pequenos pacotes? Experimente explodir uma bombinha junina. Você pode separar seus pedacinhos e organizá-los durante a explosão? Impossível, não?
Penso ser esse o primeiro princípio que demonstra a organização da natureza, desde as galáxias até a tartaruguinha que viaja pelos oceanos mas que sempre volta ao seu local de nascimento, sem que se saiba por que.
Podemos ignorar tudo isso e dar ao acaso o mérito por tal organização. Mas isso me parece um certo tipo de cegueira narcísica, do tipo: se não é como eu quero que seja, eu prefiro desconhecer.
Assim da mesma forma que podemos reconhecer a autoria de um quadro pela técnica que o pintor utilizou podemos reconhecer a autoria da Criação pela “assinatura” do Criador. Deus assina sua criação com uma riqueza de detalhes que é impossível não reconhecê-la como obra perfeita e ao mesmo tempo evolutiva. Evolutiva sim porque ele continua a criar sempre. Deus trabalha permanentemente. Quando olhamos as galáxias, as nebulosas e seus cemitérios e berços de estrelas vemos a face do Supremo Artista. Numa forma mais simples vemos que ainda hoje biólogos descobrem diariamente novas espécies de animais ou plantas. Somente o homem sua maior criação ainda persiste em caminhar como retardatário desse processo. Mas Deus tem tempo. O tempo é o senhor de todas as coisas, mas Deus é o Senhor do Tempo.
Ainda nesse mesmo capítulo, o Livro dos Espíritos discorre sobre os atributos da divindade. Para mim basta um: a perfeição. Dela se originam todos os outros que ainda não podemos pensar.
As questões cinco e seis, falam-nos do sentimento que é comum a todos os homens até mesmo ao selvagem. Há no ser humano a intuição dessa presença. Desse “Algo”. Alguns até podem pensar que não possuem esse sentimento, que a existência de Deus não é parte das suas inquirições. Discordo. Tenho observado na clínica psicológica que as pessoas com mais dificuldade de lidar com esse aspecto, são pessoas com situações traumáticas ligadas à paternidade. Mas, não vamos “psicanalisar” as coisas. Chico Xavier dizia que não há ateus em um avião caindo.
Fiquemos então no aguardo da nossa própria evolução para entendermos um pouco mais dessa essência. Por enquanto, é fechar os olhos, meditar e deixar-se invadir por esse sentimento de paz e de amor paternal.
Paz e harmonia atodos!
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